América Austral – Punta Rubia a Montevideo (Uruguai)

Mais um pouco do Uruguai…

Saímos tarde de Punta Rubia para fazer um pequeno trecho até Rocha, pois o plano era seguir pela Ruta 9 até Punta del Este, logo saímos na estrava e vimos um carro com problemas e duas pessoas empurrando para tentar fazer pegar no tranco, logo todos largamos as bicicletas deitadas no acostamento e fomos ajudar, mas não deu certo o problema era um pouco mais complicado do que parecia, só nos restou desejar sorte e seguir viagem, pois não havia nada que poderíamos fazer. Quando chegamos em Rocha paramos em um posto de gasolina na entrada da cidade e perguntamos se poderíamos ficar ali, foi negado, mas nos indicaram um lugar onde poderíamos conseguir acampar ali perto e já na Ruta 9, o lugar fazia parte da Universidade da cidade, conseguimos autorização para acampar no gramado ao lado onde era o estacionamento do lugar, nesse dia eu estava incomodado com a possibilidade de acampar em um lugar aberto e próximo a cidade, mas o guarda do lugar disse que o local todo tinha monitoramento 24hs e havia uma câmera apontando justo pro local que escolhemos para acampar, de certa forma isso me deixou tranquilo.

No dia seguinte, 04 de novembro de 2015, levantamos cedo para desmontar o acampamento, pois devíamos deixar o local antes das 7 horas da manhã, pedalamos cerca de 5km até um posto de gasolina, onde fizemos a nossa rotina matinal, usar banheiro e tomar café da manhã que se resumia a uma pasta feita de aveia, açúcar, amendoim, doce de leite e água. O dia era de pedal longo, pois queríamos chegar a San Carlos antes de seguir para Punta del Este, no fim da tarde fizemos uma parada para descansar em um ponto de ônibus que ficava a frente de uma escola rural e ao lado havia uma estancia (fazenda), conversamos um pouco e decidimos pedir para acampar ali, o dono da fazenda veio até nós em um quadriciclo, explicamos que estávamos cansados e que não chegaríamos a San Carlos nesse dia, ele nos indicou o local para colocar as barracas, um local entre o galinheiro e o curral das ovelhas, o chão estava limpo ali, e havia uma pilha de lenha fazendo uma pequena barreira para o vento, após montar as barracas o homem em seu quadriciclo aparece novamente, nos trazendo uma garrafa de refrigerante e um pacote de bolachas, não durou muito…rs…e cozinhamos algo logo em seguida, aquela foi uma das noites mais frias em minha passagem pelo Uruguai, a barreira de lenha foi de grande ajuda para proteger um pouco do vento gelado.

Por-do-sol na estancia onde acampamos - Ruta 9 - Uruguai
Por-do-sol na estancia onde acampamos – Ruta 9 – Uruguai

Na manhã seguinte o dono da propriedade veio até nós novamente com mais alguns presentes, uma garrafa de água quente, café solúvel, pão e frios, conversamos com ele sobre o caminho, ele nos deu uma dica e resolvemos seguir, alguns quilômetros à frente pegamos a Ruta 104 para voltar ao litoral, a paisagem começou a mudar novamente e nos animamos com a ideia de ver o mar novamente, chegamos em uma vila a beira mar e mesmo longe já era possível ver os prédios de Punta del Este. Passamos em um mercado para comprar algumas coisas para o almoço, e seguimos até a praia onde havia um parador fechado, aproveitamos o pouco de sombra que ele oferecia e cozinhamos nosso almoço ali, depois resolvemos aproveitar a praia, fui para a água que estava gelada e com ondas muito forte e em um determinado momento cai devido a força das ondas e nisso torci o joelho que ficou doendo por alguns dias, além de toda a areia que entrou na bermuda de ciclismo e me irritou o resto do dia.

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Depois de algumas horas na praia seguimos viagem, o objetivo era passar por Punta del Este para tirar uma foto do monumento La Mano, os dedos que saem da areia da praia, no caminho encontramos um cicloturista argentino que nos passou um contato de alguém que poderia nos receber em Montevideo, após encontrar o monumento e tirar uma foto, ficamos sabendo que era possível tomar banho no porto pagando uma pequena quantia, mas tínhamos que correr, pois o porto tinha horário para fechar. Chegamos no porto, deixamos as bicicletas perto da guarita onde havia uma oficial da marinha de guarda, ela nos indicou onde ficavam as duchas, mas pelo horário estaria fechado, chegando ao local encontramos a funcionaria que cuidava da entrada das duchas e ela já havia batido o cartão, mas se solidarizou com o desespero por um banho, foi um alivio tirar da bermuda toda a areia que me acompanhou a tarde toda. Sai do porto renovado, junto com o pessoal decidimos ir a mais um mercado comprar algumas coisas para fazer o jantar e café da manhã do dia seguinte e uma garrafa de vinho, no estacionamento do mercado encontramos alguns brasileiros com quem ficamos conversando, aproveitamos para fazer um lanche rápido ali, pão e mortadela, quando saímos do estacionamento já era muito tarde, o mercado já estava fechado, então começamos a procurar um lugar para passar a noite, fizemos todo o contorno pela avenida do litoral e ao chegar em um lugar um pouco mais afastado do centro de Punta del Este, encontramos um parador fechado, ali havia apenas um vigia guardando o local, conversamos com ele e conseguimos passar a noite na varanda, virados para o mar, cozinhamos nossa comida e tomamos o vinho para comemorar a chegada em Punta del Este, igual a Cabo Polonio, dormimos sem as barracas, apenas com o saco de dormir na varanda.

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Acordamos sem saber qual seria o nosso destino do dia, apenas queríamos seguir pelo litoral, depois de tomar café da manhã, pedalamos dois ou três quilômetros até um posto de gasolina onde ficamos um bom tempo usando a internet do lugar, seguimos a estrada e quando percebemos já estávamos em uma autopista longe do litoral, entramos em uma pequena estrada rumo ao litoral onde encontramos um bosque com muitas arvores e decidimos que ali seria um bom lugar para almoçar, pedimos água em uma casa próxima ao local para cozinhar. Depois de almoçar e descansar um pouco, continuamos pela estrada que em poucos quilômetros nos levou de volta ao litoral, no início a paisagem era um pouco deserta, com muito espaço entre as casas, mas a visão da praia era linda, aos poucos a paisagem foi se modificando e apareceram algumas casas a mais, estávamos em Punta Colorada, é difícil decidir se o lugar é bonito pela natureza ou pelo charme da vila que ali está. Mais alguns quilômetros e chegamos em Piriápolis, fizemos uma pausa no porto para usar o banheiro, nesse porto haviam mais veleiros que em Punta del Este, fizemos uma pausa em um posto para fazer um lanche e então seguimos para Las Flores, onde iriamos procurar um lugar para passar a noite.

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Chegando em Las Flores, o pneu traseiro do Wagner furou e logo vimos a placa de um camping, chegando lá o Leandro e o Wagner explicaram seu projeto e ofereceram a troca da publicidade em seu site por hospedagem, já que não poderíamos seguir viagem devido ao problema com o pneu, o dono do camping disse que não era necessário fazer publicidade, pois só estava recebendo excursões de escolas, mas nós poderíamos ficar uma noite sem custo, felizes com a notícia tratamos de montar acampamento, cozinhar, tomar banho e dormir…ahh…o Wagner foi remendar a câmara.

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No dia 07 de novembro, um sábado, o objetivo era claro, Montevideo, saímos do camping e a estrada logo nos levou de volta a autopista, um dia de pedal longo e sem coisas interessantes para ver, somente o interminável asfalto. Chegando em Montevideo, passamos por uma região de parques e bosques, todos nos estávamos com muita fome e a visão de um trailer que vendia hambúrguer ao lado de um parque nos salvou, pedimos quatro hambúrgueres completos, após matar a fome seguimos em direção ao centro de Montevideo e logo estávamos em uma avenida muito movimentada o que nos atrasou um pouco devido ao anda e para do transito. Desde que encontramos o cicloturista argentino em Punta del Este, viemos trocando mensagens com o contato que ele nos passou, Emilio disse que poderia nos receber em seu apartamento, chegamos no seu endereço e ele havia saído, mandamos uma mensagem e nos respondeu que logo estaria de volta, ficamos esperando na frente do prédio onde mora, após uma ou duas horas ele chegou, seus pais estavam juntos, pois vieram passar o fim-de-semana em sua casa, ao ver as bicicletas disse que talvez não haveria onde guarda-las, pois o apartamento era pequeno e seus pais ficariam até segunda-feira, decidimos tirar a bagagem para guardar e levar as bicicletas até um estacionamento ao lado de um posto de gasolina a três quadras do apartamento de Emilio. No estacionamento conversamos com o funcionário que nos atendeu e ele disse que iria cobrar somente a pernoite de uma moto pelas três bicicletas e o triciclo, feito, deixamos as bicicletas e voltamos para o apartamento, ficamos um tempo conversando, fui o primeiro a tomar um banho e estender o saco de dormir em um canto do apartamento.

Leandro e Wagner na estrada
Leandro e Wagner na estrada

Na manhã seguinte, tratamos de ir ao estacionamento retirar as bicicletas, pois havia uma delegacia próxima e nós iriamos deixar as bicicletas na frente dela, ao chegar no estacionamento o funcionário do turno do dia queria cobrar uma diária de carro de cada bicicleta, explicamos o que foi combinado e ele não entendeu por completo, e nos disse o valor de uma diária de moto para cada um, explicamos de novo, então ele ligou para alguém e depois nos cobrou o que foi combinado na noite anterior. Saindo do estacionamento seguimos até a delegacia, conversamos com o guarda que estava na guarita na entrada da delegacia, ele nos disse que as bicicletas tinham que ficar do outro lado da rua, junto a um amontoado de motos aprendidas que estavam deteriorando ali. Deixamos as bicicletas e o triciclo acorrentados e tratamos de ir ao mercado e também aproveitamos a feira que tinha em uma rua próxima. Nesse dia desde o momento em que acordei estava sentindo um desconforto quanto ao local, estávamos em um lugar que não havia muito espaço para ficarmos tranquilos, eu também não estava seguro quanto a deixar a bicicleta na rua, mesmo na frente da policia, Montevideo é uma cidade grande e tem os mesmos problemas que qualquer cidade grande tem, enfim, eu estava querendo sair dali o mais rápido possível, e estava chateado, pois era uma cidade que queria conhecer e até aquele momento não havia acontecido nada como eu esperava, como não havia internet no apartamento do Emilio, eu e o Leandro fomos a um bar próximo que tinha wi-fi, chegando lá usei a internet para procurar um hostel, um que pudesse guardar a bicicleta e ficar tranquilo na cidade e que não fosse caro, também fiquei pensando em como falar para o pessoal que eu iria para um hostel, após algum tempo de pesquisa sem saber bem para onde seguir eu desisti e no caminho de volta para o apartamento eu decidi que iria seguir viagem naquele mesmo dia.

Oscar e seu triciclo
Oscar e seu triciclo

De volta ao apartamento, o almoço já estava pronto, Wagner e Oscar já haviam comido eu e Leandro fizemos nossos pratos, depois de comer eu lavei um pouco da louça e em um determinado momento conversando com o Leandro e o Wagner disse que meu plano era seguir viagem, ambos tentaram argumentar para eu ficar, eu expliquei os meus motivos e comecei a preparar minhas coisas, quando terminei de arrumar meus alforges o Wagner foi comigo até a delegacia para buscar a bicicleta, chegando lá, já havia ocorrido a troca de turno do policial da guarita e o “novo” policial veio conversar conosco, o mesmo nos disse que a noite não fica ninguém na guarita e que não era bom deixar as bicicletas ali e nos falou de mais alguns problemas de segurança publica da cidade, de volta ao apartamento, passamos as informações sobre a segurança das bicicletas para o Leandro e o Oscar, após alguns minutos o Oscar perguntou se eu poderia esperar, pois se não era mais seguro deixar o triciclo na frente da delegacia ele também seguiria viagem, então, após alguns dias de viagem nos dividimos, Leandro e Wagner ficaram na cidade, pois precisavam fazer contatos para seu projeto e também conseguir algum patrocínio, eu e Oscar saímos em direção a Colonia del Sacramento, na despedida ficou o sentimento de estar deixando amigos para traz, mas a viagem deveria seguir, cada um saiu de casa sabendo que iria encontrar pessoas pelo caminho e que uma hora ou outra haveria uma despedia, o Leandro pediu o meu celular emprestado e gravou um vídeo muito bacana de nossa despedida para meu vlog de viagem, que você pode ver logo abaixo, nos despedimos desejando sorte uns aos outros e partimos.

Deixo aqui a dica, acompanhe a viagem de Leandro e Wagner nos links abaixo:

Site Distropya: http://www.distropya.com/

Facebook: Adeus Dará

Por hora é só, no próximo post eu conto como foi chegar em Colonia del Sacramento e a chegada na Argentina.

Bom pedal e até a próxima.

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