Little Ciclotur

Na última semana de férias fiz de última hora uma pequena viagem pelo litoral norte de São Paulo e um pedacinho do Rio de Janeiro…rs…pedalei entre os dias 24 e 27 de agosto de 2014.

Era um sonho antigo pedalar pela estrada que liga Cunha a Paraty, para quem não sabe essa estrada corta Parque Nacional da Serra da Bocaina e sua descida que era famosa principalmente entre aventureiros que curtem fazer uma trilha por ser terra está em obras para pavimentação, fiquei sabendo da notícia através de um amigo que recentemente fez a descida de moto, outro sonho antigo era realizar a travessia de Ilhabela pela estrada de Castelhanos, que corta o Parque Estadual de Ilhabela, tive a oportunidade de visitar a ilha várias vezes, mas foram poucas a oportunidades que levei a bicicleta e até então eu não conhecia a praia de Castelhanos.

Em Guaratinguetá
Em Guaratinguetá

No sábado, dia 23/08/2014 eu ainda não tinha ideia para onde ir, considerei vários roteiros, pelo litoral e pelo interior, e após pensar um pouco comecei a descartar os que precisavam de um planejamento melhor e mais cuidadoso, então comecei a decidir os trechos que queria realmente fazer, já era quase noite quando finalmente decidi os trechos que eu iria fazer pedalando e a definição aconteceu de traz pra frente, eu pensei primeiro no último trecho que eu iria pedalar…rs… então meu roteiro montado de última hora ficou assim:

  • 1º dia – Guaratinguetá – Cunha – Paraty
  • 2º dia – Paraty – Ubatuba
  • 3º dia – Ubatuba – Caraguatatuba – São Sebastião – Ilhabela
  • 4º dia – Castelhanos (ida e volta)
  • 5º dia – descanso e pegar o ônibus de volta para casa

Rota definida, procurei as pousadas pela internet antes de ir e consegui fazer as reservas de última hora nas três pousadas pelas quais eu passei.

Saida para a estrada
Saida para a estrada

Em meus preparativos decidi que não levaria muita bagagem, apenas duas roupas para pedalar e uma roupa que desse para usar pra tudo (ficar na pousada, andar pela cidade, etc) e para calçar um chinelo além da sapatilha é claro, sendo assim não coloquei bagageiro na bike, apenas arrumei tudo em uma mochila de hidratação sem o reservatório de água.

No domingo, acordei cedo e fui para o Terminal Rodoviário do Tiete, peguei o ônibus para Guaratinguetá as 6:30 e cheguei ao destino era um pouco mais de 9:00, passei em uma lanchonete na rodoviária de Guaratinguetá para reforçar o café da manhã, também coloquei água nas caramanholas e iniciei minha aventura.

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A partir da rodoviária, a saída para estrada de Cunha fica a menos de um quilometro seguindo a mesma avenida, logo no início a estrada dá uma pequena, e digo muito pequena amostra do que vem pela frente, a partir da rotatória na saída da cidade são aproximadamente 95km até Paraty, dos quais 70Km predominantemente de subidas para quem está indo nesse sentido. O sofrimento das intermináveis subidas e do calor são recompensados com uma paisagem linda de montanhas e vales.

Essa estrada é o último trecho do Caminho Velho da Estrada Real, o Caminho Velho tem início na cidade de Ouro Preto e segue pelo interior de Minas Gerais, atravessando uma pequena parte de São Paulo e terminando em Paraty no litoral do Rio de Janeiro, mas vou parar por aqui pois a Estrada Real é um projeto futuro ainda sem data para ser realizado.

Marcação da Estrada Real
Marcação da Estrada Real

Não demorou muito para ver a sinalização da Estrada Real, mais a frente ao passar pelo primeiro trevo de entrada em Cunha, parei em um posto que tinha uma lanchonete, lá encontrei dois ciclistas, André Machado e Hernando Henrique, ambos de Diamantina, eles estavam terminando sua viagem pela Estrada Real, ficamos conversando um pouco e logo eles seguiram viagem, aproveitei para comer um lanche e reabastecer de água.

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Mais à frente voltei a encontra-los e seguimos juntos até chegar em Paraty, as subidas realmente estavam castigando, após Cunha praticamente não há descidas somente subidas até o ponto mais alto da serra com quase 1500m de altitude.

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Chegando no ponto mais alto é soltar a bike na descida, são quase 20km de descida, por saber que a estrada estava em obras tive medo de chegar nesse ponto e ver a estrada interditada, mas para nossa alegria estava liberada, por estar em obras é preciso alguns cuidados extras nas descidas, no início a estrada já está com a pavimentação nova do tipo bloquete, que são aqueles pequenos blocos de concreto, após esse trecho tem um trecho de alguns quilômetros que está sendo preparado para receber o bloquete, após isso a estrada é de terra com vários pontos de erosão, cascalho e trechos em obras, quase chegando no fim da descida volta a ter asfalto, a descida compensou todo o esforço realizado para chegar no alto da serra.

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Chegando em Paraty, conversei durante um tempo com o André e o Hernando, e depois segui para a pousada, chegando lá fui muito bem recebido pelos donos que são italianos que logo se preocuparam se eu queria jantar, aliás comi uma ótima massa ao molho carbonara, e fiquei conversando com eles sobre ciclismo.

Chegada em Paraty
Chegada em Paraty

Meu registro no Strava do primeiro dia

Descendo a Serra Cunha-Paraty

Na segunda-feira, quando acordei e fui tomar café da manhã percebi que era o único hospede da pousada, tratei de ir logo, fiz uma passagem rápida pelo centro histórico de Paraty e logo segui para a estrada.

Praia do Jabaquara em Paraty
Praia do Jabaquara em Paraty

Já na estrada alguns quilômetros à frente, aconteceu o único furo de pneu dessa viagem, como a bomba que levei é pequena e minha bicicleta é aro 29, encher o pneu levou um certo tempo e não ficou lá essas coisas, não achei nenhum posto daquele ponto pra frente para terminar de encher o pneu, então senti pelo resto do dia a bike pesada e se arrastando por conta do pneu meio murcho.

Centro histórico de Paraty
Centro histórico de Paraty

Mais uma vez a paisagem do litoral dá show, um misto de morros e praias, ainda antes de passar a divisa de estado encontrei um recuo na estrada onde há uma cachoeira e foi construído ali um tanque que junto com um cano instalado na cachoeira forma uma bica de água, aproveitei pra refrescar um pouco a cabeça pois essa hora o sol já estava alto.

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Nesse dia, só fiz mais uma parada no trevo de Trindade que tinha um barzinho onde comprei água e tomei um refrigerante, as demais paradas que fiz nesse dia foram nos vários mirantes do caminho para tirar fotos das praias, resolvi não almoçar na estrada somente fiz isso quando cheguei na pousada em Ubatuba.

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Em Ubatuba, optei por uma pousada um pouco mais afastada do centro, por querer um lugar mais tranquilo, a posada que também é um pesqueiro e fica na Rod. Oswaldo Cruz, perto do posto da polícia rodoviária quase iniciando a subida da serra, fui muito bem recebido nessa pousada, o lugar é calmo, o meu quarto ficava de frente para uma lagoa onde tinha alguns patos, nesse dia o restaurante estava fechado para quem era de fora, mas aberto para hospedes, pedi um prato executivo com file de tilápia que estava ótimo, além da quantidade generosa de comida.

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Chegada em Ubatuba
Chegada em Ubatuba

Meu registro no Strava do segundo dia

No dia seguinte após o café acertei minha conta e segui viagem, parei no primeiro posto de gasolina que encontrei para calibrar o pneu traseiro, a impressão que tive é que tinha tirado alguns quilos da bike.

Mirante em Ubatuba
Mirante em Ubatuba

Segui minha viagem e ainda em Ubatuba, tive meu momento nostalgia, quando eu era criança meus pais sempre alugavam uma casa em Ubatuba, era comum irmos pelo menos uma vez por ano pra lá, entrei nas praias que a gente frequentava a Praia do Lazaro e a Praia Domingas Dias, depois de algumas fotos segui minha viagem rumo a Ilhabela.

Praia do Lazaro - Ubatuba
Praia do Lazaro – Ubatuba
Praia Domingas Dias - Ubatuba
Praia Domingas Dias – Ubatuba

Sempre gosto de escrever coisas legais em meus relatos, mas não consigo ser imparcial aqui, me desculpem quem gosta da cidade de Caraguatatuba, mas eu não gosto de lá, e após passar de bicicleta por lá tenho mais motivos para não gostar, como a maior parte das cidades do litoral Caraguatatuba tem ciclovias, isoladas ou faixas pintadas no canto da rua, foi o pior trecho que pedalei em toda a viagem, além das ciclovias mal conservadas, não há respeito e nem educação por parte dos motoristas da cidade, sei que isso não problema isolado dessa cidade, em duas ocasiões quase sofri um acidade por culpa de motoristas que são desatenciosos ou que simplesmente “não estão nem ai”, na primeira um senhor de idade me fechou ao fazer uma conversão a direita e eu que já estava no cruzamento fui obrigado e entrar junto na rua para não ser atropelado, na segunda ocasião também em um cruzamento que eu já estava atravessando um carro avança me cortando a frente, tive que frear bruscamente e por estar clipado quase cai, felizmente nada grave aconteceu.

Saindo de Ubatuba
Saindo de Ubatuba

Continuando a viagem, quando cheguei em São Sebastião encontrei um pequeno píer de madeira e o percorrei até a extremidade coma bicicleta para tirar uma foto :), São Sebastião também tem uma ciclovia, mas a achei mal projetada, pois fica no canto da Avenida e quando um ônibus precisa parar em algum ponto a invade sem nenhuma cerimônia, ainda bem que não tive nenhum momento de estresse nesse trecho, logo cheguei na balsa e fiz a travessia para Ilhabela.

Pier em São Sebastião
Pier em São Sebastião

Já em Ilhabela, tratei de ir para a pousada que ficava a 4km da balsa, mais uma vez fui muito bem recebido, após guardar a bike e tomar um banho fiz uma caminhada de 3km até o centro para jantar, e mais 3km caminhando de volta a pousada…rs, nessa noite fiquei preocupado pois começou a chover e meu objetivo para o dia seguinte era ir para Castelhanos, se a chuva se prolongasse por muito tempo poderia inviabilizar o pedal.

Balsa
Balsa
Por-do-sol em Ilhabela
Por-do-sol em Ilhabela

 

Meu registro no Strava do terceiro dia

Na manhã seguinte durante o café da manhã conversei com o pessoal da pousada e eles me sugeriram perguntar para o pessoal que faz passeios de jeep para Castelhanos sobre as condições da estrada, foi o que fiz, no caminho da pousada até o início da estrada passei em duas agências e perguntei sobre a estrada, nos dois lugares falaram que a estrada estava boa e que para ficar ruim tinha que chover muito mais.

Iniciando o pedal até Castelhanos
Iniciando o pedal até Castelhanos

Comecei a subida da estrada um pouco desconfiado da informação, mas logo vi que apesar da estrada estar úmida, não havia lama, estava muito boa para pedalar, para quem não conhece Ilhabela, a cidade fica voltada para o canal de São Sebastião e a praia de Castelhanos fica do outro lado da ilha virada para o oceano, a estrada para chegar lá corta a ilha ao meio e tem aproximadamente 20km, tendo seu ponto mais alto próximo aos 680m de altitude. Após alguns quilômetros pedalando cheguei na entrada do Parque Estadual de Ilhabela, deixei minha bicicleta atrás da sede do parque e fiz uma pequena caminhada até o primeiro poço da Trilha da Água Branca que tem uma extensão total de 2km mas o Poço da Pedra (o primeiro poço) fica a apenas 50 metros, após visitar esse poço decidi voltar para a sede pegar a bike e continuar meu caminho.

Na entrada do Parque Estadual de Ilhabela
Na entrada do Parque Estadual de Ilhabela

Por ser baixa temporada e meio de semana, poucos carros passaram por mim, o que foi muito agradável quase não ouvir o ruído de motores, apenas os pássaros. Ao chegar no mirante é possível avistar a praia e ver a distância que falta para chegar, mas dali em diante é tudo descida. O lado virado para o oceano é muito mais íngreme do que o lado virado para o canal e também mais acidentado, mas sem problemas para descer de bicicleta.

Poço da Pedra
Poço da Pedra

No fim do caminho há um rio, que é raso e é atravessado pelos jeeps, mas para pedestres e ciclistas tem uma ponte para essa travessia. A praia estava quase deserta, o vento muito frio e o céu encoberto por nuvens logo desencorajou um mergulho :(, resolvi então ir até um bar local em busca de uma refeição, escolhi um filé de peixe grelhado que acompanhava arroz, feijão, batata, farofa e salada. Após comer fui até a ponta da praia e logo decidi voltar, pois o caminho da volta era mais difícil, como já disse, era mais inclinado.

Mirante Castelhanos
Mirante Castelhanos

Na volta em alguns pontos tive que empurrar devido à grande quantidade de cascalho solto nos trechos mais inclinados, quando cheguei novamente no mirante aproveitei para fazer uma pausa e descansar um pouco, a descida para do lado do canal é menos acidentada então consegui uma velocidade maior na descida. Cheguei na cidade satisfeito e feliz com o passeio e aquele gostinho de quero mais, o pedal durou o dia todo então segui para a pousada e após bater uma água na bike e tomar um banho fui caminhando novamente até o centro da cidade para jantar.

Ponte sobre o rio em Castelhanos
Ponte sobre o rio em Castelhanos
Praia de Castelhanos
Praia de Castelhanos
Praia de Castelhanos
Praia de Castelhanos

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Praia de Castelhanos
Praia de Castelhanos

Meu registro no Strava do quarto dia – Castelhanos (ida)

Meu registro no Strava do quarto dia – Castelhanos (volta)

No dia seguinte, contei ao pessoal da pousada como foi o pedal até Castelhanos e após o café da manhã fui pegar a balsa de volta a São Sebastião para pegar um ônibus de volta a São Paulo.

Por-do-sol em Ilhabela
Por-do-sol em Ilhabela

No Terminal Rodoviário de São Sebastião, esbarrei na má vontade e até mesmo incoerência de um funcionário, o caso foi o seguinte, para comprar a passagem não é aceito pagamento em cartão, somente dinheiro, até ai tudo bem, fui até uma agencia bancaria para sacar dinheiro, reconheço que foi erro meu não levar um cadeado para a bike, e não queria deixar a bike solta dando bobeira na rua, então perguntei para o guarda da agencia se podia deixar a bicicleta ali na entrada enquanto eu sacava dinheiro é obvio que ele me negou isso, voltei para a rodoviária para encontrar algum lugar onde  deixar a bike minha primeira opção foi perguntar no guichê onde eu iria comprar a passagem, também me negou com a desculpa de que se passar um fiscal poderia dar problema, e me sugeriu deixar no guarda volumes, fui até lá mas estava fechado e pelo vidro era possível ver uma bicicleta lá dentro. Fui até a guarita do guarda patrimonial do terminal, ele me pediu para esperar na frente do guarda volumes que iria chamar o funcionário responsável, em alguns minutos o guarda patrimonial e o funcionário do guarda volumes aparecem, e ai está a pessoa de má vontade, ao ver a bicicleta o responsável pelo guarda volumes disse que não podia guardá-la pois se tivesse que guarda uma mala, sim ele disse apenas uma mala lá dentro teria que tirar a bike, eu questionei que já tinha um bike guardada lá, pois dava para ver pelo vidro, ele disse que estava lá dentro porque era dele, incoerente né, será que ele iria tira-la se fosse pra guardar uma mala, ahh… só pra constar o guarda volumes é bem espaçoso pelo que consegui ver pelo vidro. O guarda patrimonial, sugeriu colocar dentro de um box que estava desocupado e então me ajudou a subir a porta do box, o próprio guarda patrimonial comentou que o cara do guarda volumes tinha má vontade com tudo, deixei a bike lá e fui até o banco, não demorei mais do que 15 minutos para ir e voltar. Conclusão, em um pequeno terminal rodoviário de uma cidade turística fora de temporada e no meio da semana, acho que em 15 minutos não dá para encher o guarda volumes do terminal. Fica pra mim uma lição aprendida de não viajar sem um cadeado pra bike e principalmente não contar com a boa vontade das pessoas, tudo resolvido comprei a passagem e embarquei no ônibus com destino ao Terminal Tiete de São Paulo.

Como disse nesse relato, fui muito bem recebido nas pousadas, e me sinto à vontade em recomenda-las vou deixar abaixo os contatos para quem tiver interesse.

Paraty ⇒ Pousada Tô a Toa

Ubatuba ⇒ Pousada Parada Obrigatória

Ilhabela ⇒ Pousada Aporan

Essa viagem foi muito especial pra mim, pois consegui realizar dois sonhos que tinha a muito tempo, descer de Cunha a Paraty e a estrada de Castelhanos, eu recomendo esse passeio e também aceito convites para repeti-lo total ou parcialmente é só combinar…rs.

Ainda vou editar um vídeo dessa viagem, assim que estiver pronto coloco o link aqui no post e na lateral junto dos outros vídeos.

Bom pedal e até a próxima!!!

Galeria de fotos