I Brevet das Bandeiras – Brevet 1000

Entre os dias 18 e 21 de setembro de 2014, aconteceu em Mogi-Mirim o Brevet das Bandeiras, organizado pelo clube Audax Randonneurs São Paulo, o primeiro Brevet de 1000 km organizado no estado de São Paulo.

Site oficial do Brevet das Bandeiras

Hoje é sábado dia 20 de setembro, o brevet nem terminou e eu já estou escrevendo esse post, é isso mesmo, me inscrevi e participei do evento, mas já estou de volta na minha casa, nem só de glorias vive este blog então mais adiante irei descrever os fatos que levaram a minha desistência, mas antes algumas informações.

Rota no bikely

Para quem não consegue visualizar o que é uma distância de 1000 km, ai vai uma relação de distancias entre São Paulo e algumas capitais, essa lista foi retirada do google maps com base na rota mais curta sugerida pelo sistema.

São Paulo Curitiba 406 km
São Paulo Rio de Janeiro 432 km
São Paulo Belo Horizonte 585 km
São Paulo Florianópolis 699 km
São Paulo Goiânia 918 km
São Paulo Brasília 1007 km

Como podemos ver na lista a cima, a distância é equivalente a uma viagem até Brasília.

Vistoria, momentos antes da largada
Vistoria, momentos antes da largada

Fiz meus preparativos da melhor maneira que pude, mas infelizmente por causa de acontecimentos recentes não consegui me concentrar direito nos treinos nos últimos dias, e por isso fiquei com um pé atrás quanto ao meu preparo para essa prova, nunca fui rápido, mas nas últimas provas de Randonneur que participei sempre tive resistência suficiente para completa-las, mesmo com esse desconforto decidi continuar meu planejamento e ir para a prova.

Video que fiz nos primeiros 10 minutos de prova, câmera no guidão, sem edição

Para poder economizar um pouco, não me hospedei no hotel sugerido pela organização do evento, consegui através de um contato uma casa próxima ao hotel para guardar meu carro e me hospedei em um hotel mais barato e um pouco mais distante.

Inicio do brevet, rumo ao PC 1
Inicio do brevet, rumo ao PC 1

Na noite anterior a largada, fiz minha viagem e na manhã seguinte logo cedo deixei o carro na casa em que tinha combinado e fui para a largada, chegando lá, logo fiz a vistoria e entreguei minha drop bag para a organização, para quem não sabe a drop bag é uma sacola onde colocamos algumas coisas como roupas, camarás reserva, baterias, etc… que podemos ter acesso e utilizar em algum ponto da prova, pedi para deixa a drop bag em Bauru, havia uma segunda opção de mandar a sacola para Lins, mas Bauru era mais conveniente pois passaríamos três vezes pelo local.

Inicio do brevet, rumo ao PC 1
Inicio do brevet, rumo ao PC 1

Enquanto aguardava a largada, encontrei o Michel Fay e o Willian Previtalli companheiros do Flèche, ficamos conversando um pouco até o momento da largada as 8:00 da manhã, dada a largada saímos em direção a Espirito Santo do Pinhal onde estava o PC 1, chegando lá reabasteci as caramanholas e continuei o pedal, perto do meio dia, estava muito calor, olhei a planilha da prova fiz as contas de tempo e quilometragem e resolvi seguir a sugestão da planilha e parar no PA, a Churrascaria Chaparral que fica na estrada que liga São João da Boa Vista a Aguai, lá aproveitei para almoçar e mais uma vez reabastecer as caramanholas, o calor não deu trégua, cheguei no PC 2 em Pirassununga muito desgastado devido ao calor as 15:50, após usar o banheiro, abastecer as caramanholas comer uma fruta, segui viagem, alguns ciclistas ainda estavam ali, mas logo na estada em direção ao PC 3 que ficava em Brotas todos me passaram e eu sabia que estava lento demais e era o último na prova.

Chegando no PC 1
Chegando no PC 1

Durante esse trecho entre PC 2 e PC 3, me senti mal, com o corpo mole e sem ânimo para pedalar, quando tive sede tentei beber Gatorade mas senti enjoo, o mesmo aconteceu quando tentei comer uma bananinha, achei que estava mal por causa de alguma coisa que havia comido, então peguei uma pastilha para má digestão que tinha levado comigo, me senti melhor em relação ao enjoo, mas ainda assim fraco e segui em um ritmo muito lento.

PC 1
PC 1
A desistência e o retorno para Mogi-Mirim.

Cheguei no PC 3 em Brotas no último minuto as 22:15, o pessoal da organização já estava colocando as coisas no carro para seguir para o próximo PC, ali também estava o Wilson Poletti que havia passado mal e também seu carro de apoio, o pessoal da organização falou que tinha tempo pra chegar o PC 4 em Bauru, eu fiquei pensativo quanto a continuar ou não, os últimos 87 kms que separavam o PC 2 e 3 tinham sido muito penoso, demorei 6:25 para fazer essa distância, coisa muito fora do normal, nesse momento percebi que era hora de parar pois eu iria penar da mesma maneira até o próximo PC. O Wilson, também desistiu da prova ali, o seu carro de apoio tinha que seguir até Bauru, pois havia outro ciclista que dependia dele, peguei uma carona com eles e segui para Bauru, lá eu poderia comer, tomar banho e dormir antes de voltar.

Chegando em Bauru, tratei de entregar o passaporte da prova para a organização, oficializando a minha desistência, guardei a bike na garagem do hotel onde a organização montou sua estrutura, peguei minha drop bag e fui para o quarto tomar um banho, como os quartos reservados pela organização eram para serem usados em caráter rotativo, ocupar um quarto o tempo todo poderia atrapalhar quem ainda estava na prova, então peguei um quarto por conta própria e após um banho estava me sentindo melhor então desci para jantar o macarrão oferecido pela organização.

Brevet1000_05

No dia seguinte acordei as 9:00 e fui tomar café da manhã, depois aproveitei pra ir conversar com o pessoal para saber se mais alguém que havia desistido iria voltar para Mogi-Mirim, queria descolar uma carona, mas ninguém sabia de alguém que iria voltar naquele momento, então juntei minhas coisas me despedi do pessoal e fui para a rodoviária, chegando lá, descobri que não existe ônibus que saindo de Bauru passe por Mogi-Mirim, somente para cidades maiores, cogitei a possibilidade de pegar um ônibus para Limeira e de lá seguir pedalando, mas naquele momento não seria uma boa ideia, eu tinha a drop bag amarrada no guidão o que estava desequilibrando um pouco a bicicleta, a opção foi pegar um ônibus para Campinas e lá tentar outro ônibus para Mogi-Mirim.

Indo para o PC 2
Indo para o PC 2

No guichê a funcionária que vendia as passagens falou que eu não iria embarcar com a bicicleta, após eu explicar que já havia viajado com a bike, que não dava para embalar, e que eu precisava ir embora, ela falou que iria vender a passagem, mas se o auxiliar da plataforma não deixasse eu embarcar não era problema dela, eu iria perder o valor da passagem, após essa péssima perspectiva da coisa toda, fui para a plataforma de embarque, lá haviam dois auxiliares colocando as malas dos passageiros no ônibus, um deles falou que não iria colocar a minha bicicleta no bagageiro, após eu explicar a situação o outro auxiliar disse que dava para colocar a bike no bagageiro do lado esquerdo do ônibus, ufa…era 11:40 quando sai de Bauru em direção a Campinas. O ônibus fez uma parada após passar por Limeira e pegou transito ao passar em Americana devido a um acidente na estrada, cheguei em Campinas por volta das 15:20, o terminal estava lotado, fui ao guichê comprar a passagem para Mogi-Mirim, dessa vez nenhum problema em relação a bike, o ônibus saiu as 16:05, quase vazio mas fez várias paradas (eu contei até a décima…) durante todo o trajeto até Mogi-Mirim.

Após almoço no PA (Churrascaria Chaparral)
Após almoço no PA (Churrascaria Chaparral)

Logo que cheguei em Mogi-Mirim começou a chover, mesmo assim segui até a casa onde eu havia deixado o carro, chamei no portão durante algum tempo até me convencer que não havia ninguém na casa, liguei para meu contato ele me informou que o pessoal da casa (seus pais, avó e tia) haviam saído mas logo estariam de volta, disse que o portão social estava aberto eu poderia entrar na garagem para me abrigar da chuva, foi o que fiz, logo comecei a arrumar as coisas no carro quando os donos da casa chegaram, fui convidado para tomar um café com eles, café, leite, pão francês e pão doce e ficamos conversando expliquei como era a prova e porque eu tinha desistido, de barriga cheia e após um dia inteiro viajando de ônibus fui de novo para a estrada dessa vez de carro e finalmente voltando pra casa.

Saindo do PC 2
Saindo do PC 2

Aos organizadores do Audax Randonneurs São Paulo, parabéns pela grande e excelente estrutura montada para esse evento, e aos ciclistas parabéns a todos, completando ou não é uma vitória passar por todos os outros brevets e chegar ao maior brevet do calendário.

Esse foi o segundo brevet 1000 que participo, e não consigo completar, com certeza tenho que melhorar meus treinos, rever minha estratégia e a forma de pensar nessas provas, ainda não sei o que vou fazer em relação as próximas provas de Audax/Randonneur de 2015, principalmente as maiores, ainda é cedo pra dizer qualquer coisa.

Até a próxima.

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