Brevet 600 – Holambra – 2014

Super Randonneur é a distinção dada ao ciclista que completa no mesmo ano/calendário a série composta pelos brevets 200, 300, 400 e 600.

No dia 26/07/2014 aconteceu em Holambra mais uma prova organizada pelo clube Audax Randonneurs São Paulo, o brevet 600, uma prova de 600 km com tempo máximo de 40 horas para ser percorrido.

Tentei fazer os meus preparativos o melhor possível, consegui chegar em Holambra mais cedo, o que me possibilitou jantar e descansar um pouco pois iria acordar as 02:00 da manhã para começar meus preparativos para a prova que tinha a largada marcada para as 04:00 da manhã, mesmo com um pouco mais de treinos estava com receio de não ter perna para essa prova.

Dessa vez me hospedei em um hotel que ficava na estrada que liga Holambra a Arthur Nogueira, cheguei lá na sexta-feira próximo as 18:00 e tive a feliz notícia que o hotel tinha restaurante, tratei de começar a arrumar a bicicleta e separar o que eu iria levar para a prova, quando me dei conta que tinha esquecido a bateria extra da máquina fotográfica e também o cabo para ligar o celular na bateria externa (aquela gambiarra pra manter o Strava gravando o percurso), em relação a máquina fotográfica logo me convenci que teria que economizar pra conseguir registrar alguns vídeos e fotos durante toda a prova para fazer esse post… 🙂 …já o cabo para carregar o celular eu realmente precisava de um… pra resumir, consegui um cabo emprestado com um funcionário do hotel e o devolvi depois da prova, estava tudo resolvido fui jantar de dormir um pouco.

Vistoria
Vistoria

Acordei as 02:00 da manhã, comi um lanche de presunto e queijo que pedi no restaurante durante o jantar e tinha guardado no frigobar, a bicicleta já estava pronta, sai do hotel as 02:30 rumo ao ponto de largada um pedalzinho de 3,4 km. Chegando lá, a organização ainda arrumava as coisas para a vistoria, encontrei o William e o Michael da equipe Passos Largos do Flèche 2014 (clique aqui para ver o relato), ficamos conversando um pouco e aguardando o momento da largada, após o briefing desejamos boa sorte um ao outro e cada um seguiu em seu ritmo.

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No frio da madrugada começamos a pedalar, era 04:00 quando foi dada a largada, o primeiro trecho seguimos pela Rod. Gov. Ademar Pereira de Barros passando por Mogi Mirim e Mogi Guaçu e finalmente chegando em Espirito Santo do Pinhal, onde estava localizado o PC 1 (67km) em um posto de gasolina logo na entrada da cidade, até o primeiro PC os ciclistas ainda não haviam se distanciado muito, chegando lá encontrei o amigo Jefferson Covolan o cumprimentei rapidamente pois ele já estava de saída, eu também não me demorei muito, tratei de abastecer as caraminholas comer um lanche rápido fornecido pela organização e segui viagem.

PC 1
PC 1

Sai de Espirito Santo do Pinhal mais ou menos junto com outros três ciclistas (Carlos Marques, Marcia Silva e Jefferson Acaqui), pedalamos alguns quilômetros juntos seguindo para São João da Boa Vista, mas logo a frente nos distanciamos, chegando em São João da Boa Vista encontrei outros ciclistas ali procurando as referências na planilha para saber qual caminho seguir, mas não foi problema em achar o caminho certo que seguia em direção a Aguaí, nesse trecho encontrei o ciclista Adelso Russi que é de Santos, fomos conversando um pouco sobre a prova, ele contou que estava virado sem dormir, conversando erramos a entrada em Aguaí mas percebemos o erro cerca 200 metros à frente retornamos entramos na Rod. Deputado Ciro Albuquerque que dá acesso Rod. Prof. Boanerges de Lima sentido Casa Branca, alguns quilômetros à frente nos distanciamos e eu estava pedalando sozinho de novo.

Eu e Adelso
Eu e Adelso

Alguns quilômetros antes de chegando no PC 2 (150km) em Casa Branca, encontrei o Leandro Ramalho, e chegando no PC vi o Michael já na estrada saindo do PC, o local é a uma churrascaria aproveitei para almoçar, já estava bem cansado pois nesse primeiro trecho entre a largada e o PC 2 tinha uma altimetria um pouco complicada com o ponto mais alto próximo ao PC 1.

Almoço no PC 2
Almoço no PC 2

Após o almoço continuei a jornada rumo a Holambra, aproveitei para fazer uma parada no Frango Assado (197km), como estava cansado e começando a sentir um pouco de sono aproveitei para tomar um energético para ver se espantava o sono, resolveu por um tempo. Chegando no PC 3 (252km) em Holambra, já era noite e peguei o finzinho da comida (arroz, carne com mandioca e salada de tomate) que a organização disponibilizou junto com o Hotel. Depois de comer não tinha muito o que fazer a não ser seguir viagem rumo ao PC 4 que era no posto Graal na Rod. Anhanguera logo na saída de Limeira.

PC 3
PC 3

De Holambra a Limeira não há muito segredo e acho que o pessoal já sabe de cor e salteado as subidas e descidas pois é um dos trechos mais utilizados nas provas baseada em Holambra, cheguei no Posto Graal – PC 4 (302km) era 22:21, comi um lanche rápido (pão de queijo, esfiha e tomei um café expresso), comecei o caminho de volta a Holambra onde também era o PC 5 (353km).

Não lembro em que momento os encontrei mas cheguei em Holambra acompanhado pelo Carlos e a Marcia, era 02:02 da manhã quando carimbei o passaporte, o cansaço era imenso resolvi que não perderia tempo no PC, deixei o Carlos e Marcia no PC e fui pro hotel onde eu estava hospedado, na estrada rumo ao PC 6. Chegando no hotel, minha prioridade era descansar o máximo possível, coloquei o relógio para despertar as 03:00 e capotei, quando acordei tratei de arrumar as coisas, vesti novamente a roupa para pedalar, peguei uma barrinha de cereal e um chocolate que estava no quarto, também peguei água do frigobar ao sair do quarto tentei ignorar o frio e não pensar na cama quentinha que estava deixando para trás.

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Mais uma vez na estrada rumo a Limeira, em algum momento vi o Richard Dunner me passando e logo mais dois ciclistas que não recordo os nomes também me passaram, um pouco à frente na estrada que liga Arthur Nogueira a Eng. Coelho o Richard se distancio um pouco dos outros dois ciclistas e os alcancei, nesse momento um carro “pilotado” por um irresponsável entrou no acostamento entre nós e o Richard em alta velocidade, acho que o engraçadinho estava querendo nos assustar com uma brincadeira sem graça, logo saiu do acostamento voltando para a pista e seguiu viagem, foi tudo muito rápido, não consegui ver a placa do carro, ainda bem que nada de ruim aconteceu naquele momento e seguimos viagem.

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Cheguei na Rod. Anhanguera estava amanhecendo, resolvi parar no posto Graal (411km) o mesmo do PC 4 para tomar um café da manhã, lá encontrei outros ciclistas que estavam deixando suas bicicletas no hall de entrada do restaurante, lá encontrei o Stefan Winters ciclista de Curitiba, conversamos um pouco antes de sair, o pavimento do estacionamento desse posto é de paralelepípedos e estavam irregulares na saída acredito que um de meus pneus ficou preso em uma fenda o que me desequilibrou e eu caí batendo o joelho esquerdo no chão, a dor no momento foi grande, após uns minutos resolvi seguir viagem e nem tirei o pernito para ver se estava ralado.

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Quem conhece a Rod. Anhanguera até Porto Ferreira sabe o interminável sobre e desce que é, como se isso não bastasse começou a chover a chuva durou pouco tempo mas foi suficiente para fazer a sujeira acumulada no asfalto saltar para cima com o giro das rodas e começar a grudar em tudo. Acho que todo o trecho de ida e volta pela Anhanguera é onde fui mais lento e também onde senti mais sono, isso é uma tortura que parece não ter fim, qualquer subida ficamos lentos, ai o pedal se torna monótono e o sono aparece nos fazendo querer parar para dormir ou simplesmente fechando nossos olhos quando não podem ficar fechados.

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A chegada ao PC 6 (481km) em Porto Ferreira trouxe um pouco de alivio, mesmo sabendo que ainda tinha 128 km pela frente e boa parte no sobe e desce sem fim da Anhanguera, mas era o ultimo trecho, cheguei no PC era 11:05 era um hotel é o pessoal da organização combinou com a administração do hotel a utilização da cozinha onde o Caio e Fabio preparavam um macarrão, esperei alguns minutos pelo macarrão e nesse meio tempo aproveitei para descansar um pouco em uma cadeira, após almoçar, arrumei minhas coisas e segui viagem, na Anhanguera voltei a tortura do sono tentando me derrubar, também percebi que a corrente estava pulando nos pinhões mais internos achei que poderia ser regulagem do cambio traseiro, mas ignorei o problema pois não teria muita folga de tempo, procurei usar os pinhões mais externos onde não acontecia problema.

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O Sono era tanto que resolvi parar em um posto na estrada para tomar uma coca-cola e um energético e assim tentar acordar, lembrei de uma vez em um outro brevet que um ciclista me disse que mascar chicletes espanta o sono por um tempo, então comprei também alguns chicletes, tomei o energético e deixei para tomar a coca-cola logo na sequencia mas ela não descia e joguei fora, a dica do chicletes realmente funcionou tive a impressão de esquecer do sono enquanto mascava chicletes, não sei se é o efeito do açúcar ou apenas uma distração por estar mastigando.

Concluindo o Brevet 600
Concluindo o Brevet 600

Quase no final do trecho da Anhanguera eu estava pedalando de novo na companhia do Leandro também tinha outro ciclista próximo, era Alessandro Delfini Cruz, chegando em Limeira e entrando na estrada que dá acesso a Eng. Coelho o Leandro me perguntou se dava tempo de completar eu disse que dava mas não podíamos perder tempo com nada, era pedalar e pedalar o tempo estava se esgotando, nesse momento parece que o desespero por querer terminar dentro do tempo espanta o sono e nos dá uma disposição que não dá pra explicar de onde vem, a impressão é tudo vira uma correria só, até aquela longa subida do pedágio na estrada antes de Engenheiro. Coelho pareceu passar rápido.

Passaporte da prova
Passaporte da prova

Chegando em Holambra na rua da Posada OCA, local da chegada (609km) foi possível ver uma aglomeração de pessoas no meio da rua, logo comecei a ouvir alguns gritos pedido para desligar o farol para tirarem foto, na chegada recebi parabéns de algumas pessoas, após entregar o passaporte devidamente carimbado as 19:30 fiquei ali mais alguns minutos descansando e vendo a alegria dos ciclistas que ainda chegavam.

Certificado e medalha
Certificado e medalha

Essa foi a minha terceira série Super Randonneur completa, antes dela fui Super Randonneur em 2011 que garantiu minha participação no Paris-Brest-Paris daquele ano (Clique nos links para ver os relatos parte 1 e parte 2) e em 2012 quando tive a oportunidade de participar no 2º Giro do Chimarrão que é um Brevet de 1000 km baseado em Porto Alegre.

Por falar em Brevet 1000, dia 18/09/2014 vai acontecer o Brevet das Bandeiras também organizado pelo clube Audax Randonneurs São Paulo, agora que tenho uma série Super Randonneur completa novamente posso confirmar a inscrição e focar nos treinos e preparativos para mais um grande desafio.

Ahh…lembram do problema com a corrente que mencionei a cima, após a prova fiz a limpeza da bike, e vi que foi por pouco que ela não me deixou na mão, a corrente estava pulando porque um dos elos está torto e quase abrindo, dessa forma a corrente não encaixa direito no pinhão, como está sem powerlink, imagino que é nesse link que a corrente foi fechada e agora está dando esse problema…bom vou substituir o link torto por um powerlink antes do próximo pedal.

Resumo das passagens pelos PCs

Local Quilometragem Hora
Largada 0 km 04:00
PC 1 67,1 km 07:14
PC 2 150,9 km 12:00
PC 3 252,9 km 18:40
PC 4 302,5 km 22:21
PC 5 353,6 km 02:02
PC 6 481,5 km 11:05
Chegada 609,7 km 19:30

Trajeto da prova no Bikely

Strava

A bateria externa fez o celular aguentar durante o trajeto todo, porém o App do Strava ficou travando durante todo o trajeto, quebrando em pequenos trechos, sempre eu que parava em um PC eu religava o Strava para gravar um novo trajeto, abaixo seguem os links dos segmentos gravados.

Strava 1

Strava 2

Strava 3

Strava 4

Strava 5

Bom Pedal…e até a próxima!

Galeria de fotos