Brevet 300 – Boituva

Continuando a série Randonnuer 2014, no dia último sábado, dia 15/02/2014, aconteceu em Boituva-SP o Brevet 300 e em paralelo também aconteceu um Brevet 200 organizados pelo Audax Randonneurs São Paulo, fiz minha inscrição no Brevet 300 logo nos primeiros dias, estava empolgado e doido pra girar um 300 de novo.

Brevet300_Boituva_20140215 (06)

Aconteceram algumas cosias semanas antes do brevet, o que me impediu de manter um treino consistente, posso resumir meu treino desde o Brevet 200 Campos do Jordão em três giros na estrada de 73km a 137km, alguns dias nas primeiras semanas de janeiro em que eu consegui frequentar a academia na parte da manhã e girar um pouco no rolo de treino a noite, ou seja, mais uma vez eu estava indo para um Brevet quase sem treino.

Sai de casa na sexta à noite por volta da 21h, passei na casa da minha namorada, e depois segui para Boituva, peguei muita chuva no caminho e cheguei no hotel quase meia noite, até me acomodar e arrumar as coisas para o dia seguinte já era 1h da manhã, como não daria tempo para tomar café da manhã por questões dos horários do hotel e a vistoria da prova, levei um lanche comprado em uma loja de conveniência para comer de manhã antes de sair para a prova. Coloquei o relógio para despertar as 5h30, tempo suficiente para comer, tomar um banho, trocar de roupa e sair a tempo da vistoria, briefing e largada, mas tinham alguns ciclistas afobados no hotel que acordaram as 4h30 da manhã e conversavam alto e andavam pelos corredores com fazendo barulho com os tacos das sapatilhas…ahh…eu só queria dormir mais uma hora!

Vistoria
Vistoria

Chegando, na praça em frente a rodoviário, local da largada tentei localizar visualmente três ciclistas, Willian, Cleber e Michael, com quem estou montando uma equipe para o Flèche, sem sucesso, pensei em pedir ajuda para a Silvia que estava com a lista dos participantes na mesa da vistoria mas com tanta gente ela não tinha folga e eu também não queria atrapalhar o trabalho da organização, mas encontrei outros amigos que estavam por lá.

Primeiros quilômetros na Castelo Branco
Primeiros quilômetros na Castelo Branco

Dada a largada, seguimos para a Castelo Branco com o carro da organização como batedor a frente do pelotão, já na Castelo tudo seguia tranquilo, eu estava conseguindo manter um bom ritmo, em um determinado momento o Max e seu amigo Zé Mario passaram por mim, comecei a acompanha-los, e fomos conversando um pouco, estávamos no quilometro 28 falando sobre a quantidade de ciclistas que já tinham parado para arrumar um pneu furado, quando notei que meu pneu traseiro tinha acabado de furar, nesse momento virei mais um na estatística da prova com mais pneus furados que eu tenho notícia, até mesmo no brevet dos organizadores tem relatos de vários pneus furados.

Max
Max

Primeiro furo do quilometro 28 consertado, andei mais 12 km, e mais um furo dessa vez no dianteiro, com quarenta quilômetros de prova eu já tinha usados as duas câmaras reservas que tinha, consegui levar a bike até o PC 1 sem mais nenhum furo, mas nessa hora acho que já era o último a passar pelo PC. Chegando lá perguntei se eles tinham câmaras, pra vender ou emprestar, o Daniel Labadia me falou que não tinha, mas se ofereceu para remendar as minhas câmaras furadas enquanto eu fui tomar um café e usar o banheiro, foi de grande ajuda, sai do PC com duas câmaras remendadas, que vim a usar mais pra frente.

Segundo furo
Segundo furo

Pouco depois de passar pelo PC 1 notei que o pneu traseiro estava estranho, mas não parei pra ver o que era, chegando no início da serra de Botucatu, passei por um ciclista que estava bem devagar, no meio da serra tive o primeiro contato com o Carlos Mesquita, seguimos juntos até o fim da serra, após passar o pedágio, eu resolvi parar para ver o pneu traseiro o Carlos seguiu em frente, percebi que estava murchando muito devagar, resolvi apenas encher um pouco para andar mais alguns quilômetros. Na interligação alcancei o Carlos novamente, parei mais umas duas vezes para encher o pneu traseiro de novo, até que no trevo de Botucatu, vi que teria de trocar a câmara pois já faziam 20 km desde o pedágio e o pneu estava murchando mais rápido, Carlos seguiu, acreditando que eu o alcançaria de novo após alguns quilômetros.

PC 1
PC 1

Ainda no trevo de Botucatu, já com a roda montada na bike e guardando espátula e bomba o ciclista que passei no começo da serra de Botucatu me alcançou, seu nome era Daniel, andamos alguns quilômetros juntos, em um ritmo bem tranquilo, sugeri a ele pra gente acelerar pra chegar no PC com tempo suficiente para comer e descansar, ele disse que iria seguir tranquilamente, mas se eu quisesse acelerar podia ir. Após confirmar que estava tudo bem, segui meu caminho não demorou muito para abrir uma diferença em relação a ele.

Terceiro furo
Terceiro furo

Segui pela Marechal Rondon, quando em um trecho longo de descida, vi um caminhão parado no acostamento, olhei pra traz, nenhum carro vindo dava pra passar, ao desviar para passar o caminhão parado, percebi que não era apenas um caminhão, mas um comboio com cinco carretas biarticuladas, olhei de novo pra traz e decidi ir, quando faltava apenas uma carreta para passar essa começou a andar, berrei para o tentar chamar a atenção do motorista, fiquei tranquilo, pois vi o motorista pelo retrovisor me vendo ali, conclui a passagem, ainda nessa descida longa, o comboio já em movimento na faixa da direita, começou a me passar, ao passar em um buraco, o baú que fica na parte de baixo de uma das carretas se abriu e eu vi pular dali uma sacola plástica que ao tocar o chão fez um “clack” que me pareceu ser o som de uma panela, na mesma hora pensei “o motorista perdeu a marmita” vi também que tinha que desviar da sacola, pois ela rolava pelo acostamento, consegui espremer a bike no cantinho quase saindo do acostamento e caindo na grama com a “marmita” passando a alguns centímetros das rodas.

Chegando no PC 2, encontrei o Carlos que estava de saída, o Rafael Dias tinha acabado de almoçar e estava arrumando sua bicicleta, eu não perdi tempo e fui almoçar, peguei um pouco de comida no buffet do restaurante, comida simples, mas gostosa. Após o almoço, reabasteci de agua, troquei as lentes do óculos, para não ter que parar no meio da estrada para fazer isso quando a noite começar a cair e sai do PC 2 rumo ao PC 3.

PC 2
PC 2

Sai do PC 2 pedalando devagar, tinha acabado de comer e fiquei uns 40 minutos lá, após andar um pouco o Rafael passou por mim, mais alguns quilômetros encontro o Carlos e o Rafael parados no acostamento, o pneu do Carlos furou e após trocar a câmara a válvula quebrou, fiquei conversando com eles enquanto o Rafael consertava a câmera para o Carlos. Como eu estava parado apenas jogando conversa fora, perguntei se precisavam de mim ali pra ajudar em alguma coisa, o Carlos me pediu para esperar e acompanha-lo no resto do percurso, pois não tinha mais nenhuma câmara e isso o estava deixando preocupado. Após arrumar a câmara, estávamos no caminho de novo, não demorou muito para o Rafael se distanciar de nós.

Ainda na Marechal Rondon, paramos no posto da Policia Rodoviária para pegar agua, o policial além de nos dar água, também nos ofereceu umas bananas que estavam na geladeira, e nos contou uma história de que também andava de bicicleta e estava comprando a bike do primo dele, ainda pediu pra tirar uma foto para enviar ao seu primo…é engraçado virar notícia local.

Chegando no PC 3
Chegando no PC 3

Quando chegamos no PC 3, já estava escuro, a organização deixou acertado com o restaurante um prato de macarrão para os participantes, estava muito bom, encontramos o Rafael, o Claudio (amigo do Carlos) e outro ciclista que não lembro o nome, eles já estavam quase de saída quando chegamos para comer o macarrão, antes de sair tomei um café para esquentar pois a noite estava fria e o Carlos me emprestou um corta vento que veio bem a calhar para enfrentar os últimos 75 quilômetros no frio da madrugada.

Eu e Carlos no PC 3
Eu e Carlos no PC 3

Acredito que já estávamos a meio caminho de Boituva quando meu pneu dianteiro furou de novo, a minha sorte era ainda ter uma das câmaras que o Daniel Labadia remendou no PC 1. Pneu consertado, seguimos fazendo contas de tempo e quilometragem e percebemos que devíamos tentar apertar um pouco o ritmo, quando faltava 15 quilômetros, alcançamos o Claudio que também parou pra arrumar um pneu furado, mas ele se distanciou de nós alguns minutos depois.

Foi um alivio ver entra no trevo de Boituva e perceber que mesmo com pouco tempo iriamos conseguir, foi quando o Carlos pediu pra fazer uma pausa, pois não aguentava de dores nos pés, nesse momento ele me disse pra seguir, perguntei se estava tudo bem e se ele viria, ele me disse que chegaria lá mas não sabia se chegaria no tempo para brevet, eu pensei comigo, faltam 2 quilômetros e temos cerca de 15 minutos, que coisa chegar tão perto e não brevetar, insisti para que ele continuasse para chegar a tempo e brevetar, ele levantou e seguimos, poucos metros a frente em uma troca de marcha a minha corrente caiu, parei e pedi ao Carlos para seguir, consegui resolver muito rápido e logo estava pedalando de novo, entramos na rua principal, ao passar por uma barraca de cachorro quente o pessoal que já havia concluído o brevet estava lá e ficaram gritando para nós. Quando chegamos no hotel que marcava o fim do trajeto, um ciclista que depois vim saber que se chamava Tiago, se ofereceu pra segurar as bikes enquanto eu e Carlos íamos até a mesa entregar o passaporte da prova.

Brevet Concluído
Brevet Concluído

Conseguimos concluir a tempo, o Richard ainda brincou comigo dizendo _ Você só chega nesses horários! _ pra quem não viu o post sobre o 200 de Campos, cheguei literalmente no último minuto.

No fim passamos na barraca de cachorro quente para cumprimentar o pessoal e tirar uma foto, comemos em uma lanchonete do outro lado da rua e eu segui para o merecido descanso no hotel. Agradeço ao Carlos pela boa conversa durante o caminho em alguns momentos senti sono, mas a conversa o afastava. Mais um brevet concluído, agora é focar no planejamento para o Flèche que irá ocorrer em abril, e além disso, no calendário do Audax Randonneurs São Paulo há também mais um brevet 200 e um 300, mas irei esperar o Brevet 400 em junho.

Pessoal na barraca de cachorro quente
Pessoal na barraca de cachorro quente

Parabéns para a organização do Audax Randonneurs São Paulo pelo ótimo evento.

Vou ficar devendo o registro do Strava, pois a bateria do celular acabou no meio o brevet e o aplicativo não salva parcialmente a rota 🙁

Bom Pedal…e até a próxima!

Galeria de fotos.