Brevet 200 – Bananal – 01/11/2014

A primeira prova do calendário 2015 aconteceu na cidade de Bananal, divisa de São Paulo e Rio de Janeiro, organizada pelo Randonneurs Mogi das Cruzes…provinha boa.

Mesmo sem conseguir completar a prova no tempo limite de 13:30, curti muito participar dessa prova, apesar de todas as subidas, não foram poucas, a paisagem da região dá um show à parte.

Como dito, essa foi a primeira prova do calendário 2015, um ano especial, pois é ano de Paris-Brest-Paris e o calendário nacional está cheio de oportunidades para conseguir a classificação, reflexo do crescimento da categoria 🙂 o que é muito bom.

Fazenda dos Coqueiros
Fazenda dos Coqueiros

Voltando a falar do Brevet de Bananal, ao ver a altimetria do percurso no bikely, vi que não seria nada fácil, então resolvi trocar a relação da bicicleta, saiu o pedivela 53-39 e voltou o compacto 50-34, saiu o cassete 11-25 e entrou um novo cassete 11-28, nessa brincadeira também troquei a corrente…com essa relação montada achei que iria sofrer um pouco menos.

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Fiz todos os preparativos na quinta-feira e na sexta-feira após o trabalho segui para a cidade de Bananal, a viagem é longa, mas o transito para sair de São Paulo me atrasou mais do que eu esperava, sai do trabalho as 18:00 e cheguei na pousada em Bananal a 00:20, arrumei tudo rapidamente no quarto e tratei de ir dormir.

A largada da prova foi na Fazenda dos Coqueiros, há poucos quilômetros de distância do centro da cidade já na Estrada do Tropeiros (SP-68), então logo cedo, sai da pousada e segui a rua que dava continuação a estrada, mas havia uma bifurcação não lembro de ter visto placa, não tinha prestado atenção, mas fiz uma escolha e segui em frente por 2 km quando encontrei um ciclista, e ao perguntar sobre o caminho, confirmei que estava errado, mas tudo bem não pedalei muito mais por isso. De volta ao caminho correto, logo cheguei na Fazenda do Coqueiros, lá encontrei o pessoal da organização que havia acabado de chegar, o Rafael e a Renata, instantes depois também chegou o Daniel. Tomei café da manhã que a organização acertou com o pessoal da fazenda por 10 cruzeiros a mais na inscrição, valeu a pena, o pãozinho estava muito bom.

Fazenda dos Coqueiros - Local do café da manhã
Fazenda dos Coqueiros – Local do café da manhã

Em clima descontraído o pedal começou as 7:15 da manhã, a estrada tinha pouco movimento de carro, característica que durou o brevet todo, logo o pessoal começou a se distanciar e eu pedalei por um tempo na companhia de Eugeny e Ademar, como sempre em qualquer brevet sobra tempo pra conversar enquanto estamos pedalando, a Renata voluntária da organização pedalou até o PC 1 e nos acompanhou até lá.

Rafael Dias fazendo o briefing da prova
Rafael Dias fazendo o briefing da prova

O PC 1 estava localizado no município de Areias, o local era o Bar Sant’ Anna, tratei logo de comprar uma água e um Gatorade e pedi a dona do estabelecimento uma notinha para comprovar a passagem pelo bar…ahh pra quem não sabe, todos os PCs nesse brevet eram virtuais, ou seja, ao passar pelo PC o ciclista é responsável por coletar uma “prova” de sua passagem pelo local…resolvido isso segui em frente.

PC 1 - Bar Sant' Anna - Areias - SP
PC 1 – Bar Sant’ Anna – Areias – SP

Uma curiosidade, nesse fim de semana estava acontecendo algum exercício do exército nas cidades da região, pois, em vários lugares havia a movimentação do exército e até mesmo barreiras em alguns pontos da estrada.

Represa do Fúnil (o que sobrou dela)
Represa do Fúnil (o que sobrou dela)

O percurso seguiu um sobe e desce constante e equilibrado até chegar em Silveiras, até então o único trecho que tinha se destacado pela altimetria mais complicada era a serra após a Represa do Funil antes de chegar em Areias…alias a Represa do Funil está seca, há apenas um riacho no local, e todo o leito da represa virou pasto, muito triste…voltando para Silveiras, ao chegar lá sabia que seria o trecho mais complicado, mas não esperava que subida da serra seria tão inclinada, o PC 2 ficava no Bairro dos Macacos, bem no alto da Serra da Bocaina, comecei a subir a serra no período mais quente do dia, empurrei a bicicleta em alguns trechos e quando conseguia encontra alguma sobra parava para tentar esfriar o corpo um pouco, durante a subida alguns ciclistas passaram a maioria estava de MTB com uma relação bem mais leve que a relação compacta da  minha speed, confesso que nesse momento lembrei na minha MTB que estava em casa, esse trecho foi muito desgastante, um dos ciclistas que me passou enquanto eu estava sentado em uma sombra, estava com uma bicicleta dobrável, mais tarde soube que seu nome era Valter.

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Quando terminei de subir a serra, um pouco antes do PC 2, encontrei o Rafael e o Daniel (de carro) eles me ofereceram um Gatorade e também me passaram algumas informações sobre o percurso a frete até o PC.

O PC 2 no Bairro dos Macacos era um restaurante simples, chamado Restaurante do Agnaldo, logo que cheguei tratei de me informar o que tinha para almoçar, eram duas opções, frango frito ou bife acompanhados de arroz, feijão, batata frita e salada de alface e tomate, pedi frango, a comida preparada na hora demorou um pouco, comida simples porém gostosa, revigorado pelo descanso enquanto esperava a comida e também pela barriga cheia, senti ânimo para seguir viagem, a essa altura eu já era o último, pois todos já havia seguido viagem, o único que ficou no PC 2 foi o Ademar que desistiu da prova e ligou para seu filho ir busca-lo.

Eu levei uma câmera para gravar alguns trechos da estrada, mas infelizmente a bateria acabou e eu não consegui gravar a descida da serra 🙁 , mas a descida foi alucinante, é muito inclinada a bike acelera muito rápido, e por isso, é preciso ficar esperto e não bobear nas curvas pra não rolar morro abaixo.

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Chegando Silveiras, voltei ao trecho mais regular da prova, logo vi o Valter, na verdade, vi bicicleta dele encostada no comercio local, eu sabia que o tempo estava apertado demais, mas ainda tinha esperança, passei direto e tentei andar o mais rápido que pude. Alguns quilômetros depois encontrei outro ciclista, não lembro o nome dele, ele desistiu da prova antes de subir a serra e ficou em Silveiras para descansar durante algum tempo, naquele momento estava voltando até algum ponto onde seu amigo que ainda estava na prova pudesse resgata-lo de carro, depois de pedalar um tempo na companhia dele, o deixei, ainda tinha esperança de chegar no tempo.

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Passei pelo PC 3, o Bar Sant’ Anna em Areias, o mesmo local o PC 1, tratei de pegar uma notinha de consumo e segui viagem, na passagem de todos os municípios ao longo da Estrada dos Tropeiros a rua principal é uma continuação da estrada, mas em São João do Barreiro é preciso dar a volta na Igreja, o que me fez ficar com dúvidas se eu ainda continuava no caminho certo, sabia que era coisa da minha cabeça, decidi continuar em frente e só confirmei que estava no caminho certo na próxima cidade que era Formoso, nesse ponto eu já sabia que estava com o tempo estourado.

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Durante esse trajeto entre o PC 3 e a chegada em Arapei, um carro que passava parou e a motorista, que apenas escutei a voz pois já estava escuro, perguntou se tinha mais algum ciclista para traz, pelo sotaque dela a liguei ao Valter, eles são Portugueses, e a informei que a última vez que o tinha visto foi em Silveiras.

Chegando em Arapei, procurei saber onde era o Bar do Abrão, local de encerramento do brevet na rua principal, só fiquei na dúvida pois havia ali três bares próximos e nenhuma aglomeração de ciclistas, encontrado o bar, pedi um refrigerante e sentei em uma cadeira para descansar e recompor as energias, ainda teria que pedalar 18 km até a pousada em Bananal.

Após um tempo parado ali, e já convencido em seguir viagem, o Valter chegou pedalando e escoltado pela sua namorada que estava de carro, conversamos um pouco e eles me ofereceram uma carona até Bananal, por coincidência estavam hospedados na mesma pousada em que eu estava, removi as rodas da minha bicicleta e as coloquei no porta malas do carro junto com bicicleta dobrável do Valter, o quadro da bicicleta foi comigo no banco traseiro.

Eu e Valter em Arapei - SP
Eu e Valter em Arapei – SP

De acordo com o meu registro no strava, fiz o percurso em 14:42, ou seja, 1:12 além do limite, sem homologar esse brevet agora é ver no calendário qual é o próximo 200 para participar.

Bom Pedal…e até a próxima.

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Comentários

  1. André, parabéns pelo relato! De certo modo, tenho uma confirmação daquilo que aguardava dos percursos organizados pelo Randonneurs Mogi… Pedreira pura! O jeito é preparar o espírito e melhorar o planejamento do pedal. Condicionamento físico todos que se inscrevem têm, o que muitas vezes falha é o psicológico (e, muitas vezes falha, por conta do planejamento descuidado).
    Também, parabéns pelo novo endereço!
    Abraços,

    1. Obrigado Ricardo,
      Realmente é muita pedreira…rs… Sempre achei as provas de randonneur uma batalhar contra o psicológico…
      Mais uma vez Obrigado.
      Abraço!