América Austral – Bojuru a Santa Vitória do Palmar (RS)

Começou uma parceria muito massa…

Quando estava em Bojuru, resolvi fazer o revezamento das correntes da bicicleta, acordei bem cedo coloquei a bicicleta na rua e comecei a trabalhar, troquei a corrente, limpei a corrente usada, após isso, tomei um banho e fui até a padaria do outro lado da rua tomar café da manhã, mesmo com o trabalho extra consegui iniciar o trecho do dia antes das 9 horas da manhã, nesse dia eu estava preocupado, pois todos falavam que a Lagoa dos Patos estava cheia e ninguém sabia dizer se era possível fazer a travessia de São José do Norte para Rio Grande, chegando lá pude constatar o que todos falavam parte da cidade de São José do Norte estava alagada, em alguns pontos foram colocadas plataformas de madeira nas ruas para as pessoas circularem assim consegui chegar até a lancha, mas não me deixaram embarcar pois devido a cheia a lancha não estava levando nenhum tipo de carga, a bicicleta no caso, então fui procurar a balsa para carros e caminhões que havia mudado de lugar por causa da cheia.

São José do Norte - RS
São José do Norte – RS

No novo local da balsa, fiquei conversando com o pessoal, e conheci dois geólogos Geovane e Daniel que estava fazendo um trabalho de mapeamento das estradas, eles passaram por mim na estrada e curiosos com a viagem vieram conversar comigo, a balsa chegou e logo começou a operação para desembarcar e embarcar os caminhões, eu estava esperando toda a operação terminar para embarcar quando vi um senhor passar com uma bicicleta cargueira e ficar em cantinho atrás de um caminhão, não perdi tempo e fiz o mesmo colocando minha bicicleta ao lado da dele, logo a balsa estava completa e começou a viagem até Rio Grande, o senhor com a bicicleta cargueira me disse sempre fazia aquela travessia pela balsa pois era mais barato que a lancha, na lancha eu iria pagar por volume, ou seja, haveria uma taxa para cada bolsa presa na bicicleta, pensando por esse lado até que foi bom dar uma volta a mais na cidade  esperar um pouco mais e atravessar pela balsa, pois paguei apenas  5 reais na travessia.

Geovane e Daniel
Geovani e Daniel

Já em Rio Grande, tratei de procurar um lugar para ficar, queria encontrar um lugar gratuito, fui até uma bicicletária e pedi ajuda, mas me indicaram um hotel super caro, fui em outra bicicletária e me indicaram uma pequena pousada ao lado da rodoviária, resolvi ficar lá mesmo por 25 reais, em um quarto minúsculo, sem café da manhã e com banheiro compartilhado no dia seguinte acordei cedo fui até uma padaria tomar café da manhã e procurei um banco, queria resolver a questão de um cartão que não consegui liberar a tempo antes de iniciar a viagem, não encontrei a agencia que me indicaram e mesmo que a tivesse encontrado só iria consegui usar o caixa eletrônico para tentar alguma coisa, pois os bancários estavam em greve, de volta a pousada mandei uma mensagem para meus irmão pedido a ajuda deles nessa questão, arrumei tudo e sai de Rio Grande com um sentimento pesado, por algum motivo eu estava me sentindo mal e não sabia o que era, talvez a noite mal dormida, na estrada próximo a ligação com a estrada que segue para a Praia do Cassino havia um local que venda de gás, resolvi para pedir informação sobre qual direção seguir para chegar a Chui, a vendedora disse que também pedalava e perguntou sobre a minha viagem, conversamos um pouco e eu expliquei os detalhes da viagem, percebi que ali não era só uma venda de gás mas também uma loja de conveniência, resolvi comprar um sorvete e quando fui pagar ela disse que não precisava pagar, era presente, esse pequeno gesto fez o sentimento ruim que me incomodava desde manhã desaparecer e eu segui a estrada mais aliviado.

post_0028(16)

Alguns quilômetros a frente entrei na estrada que leva a cidade de Chui no extremo sul do Brasil e fronteira com o Uruguai, alguns instantes nessa estrada e vejo que longe na minha frente haviam dois ciclistas, logo pensei que eram moradores de alguma vila próxima, alguns instantes depois vislumbro a silhueta de um alforge em suas bicicletas, meu pensamento mudou, cicloturistas vou alcança-los, instantes depois voltei a achar que eram locais de novo e diminui o ritmo, até que um dele parou e começou a tirar uma foto de alguma coisa na estra….cicloturistas, vou aproveitar que um está parado e vou alcança-lo…mas ele voltou a pedalar, sem olhar pra trás, os persegui por mais alguns instantes, até que finalmente um deles olhou pra trás e diminuiu o ritmo, os alcancei, seus nomes Leandro e Wagner, nos cumprimentamos e seguimos viagem juntos…massa!!!

Para apresenta-los a você leitor desse blog, Leandro é natural de Lorena em São Paulo mas mora em João Pessoa na Paraíba, onde conheceu seu amigo Wagner que natural de João Pessoa, eles têm um projeto muito interessante, estão coletando material audiovisual para a realização de um documentário que busca mostrar a identidade do povo latino americano ao final da viagem, e para se manterem na viagem tem um site onde oferecem publicidade em troca de hospedagem, se quiser segui-los em sua viagem clique aqui para ir ao Facebook do projeto.

Wagner e Leandro
Wagner e Leandro

Apresentação feita, seguimos viagem, alguns quilômetros à frente eles pararam para almoçar, imaginei que seria um lanche rápido até me dar conta que eles estavam se preparando para cozinhar ali no acostamento, apesar de levar comigo fogareiro e comida, sempre pensei em cozinha no acampamento e na estrada fazer um lanche rápido, bom ajudei com o meu fogareiro e um pouco de macarrão que eu tinha para ser misturado ao arroz deles, nessa mistura também entrou amendoim, o Wagner comandou a cozinha a comida ficou boa e após almoçar eles fizeram café e o Leandro começo a organizar as coisas para continuarmos a viagem, então logo percebi que havia um acordo entre eles, um cozinha e o outro lava a louça de arruma a bagunça.

Seguimos alguns quilômetros a frente, começou a ficar tarde e logo pensamos não vamos conseguir chegar na Praia da Capilha, vamos ter que arrumar um lugar para acampar por aqui, foi quando vimos uma granja e resolvemos pedir água, e logo após perguntamos ao guarda onde poderíamos acampar, ele disse que tinha que pedir autorização para a administração, mas ali já não tinha mais ninguém para autorizar e que 8 km a frente havia outra granja do mesmo grupo e que podíamos tentar lá, foi que fizemos, ao chegar na granja conversamos com o guarda, ele ligou para a administração e em alguns minutos recebeu uma ligação em seu ramal, nós fomos autorizados a acampar dentro da granja, ao entrar o administrador do restaurante estava de saída e veio conversar conosco, então ele voltou ao restaurante e pediu para a funcionária que estava lá nos servir marmitas para nossa janta, ao nos entregar as marmitas ela nos disse para ir no dia seguinte logo cedo para tomar café da manhã, após comer arrumamos um lugar para colocar as barracas e fomos dormir.

Granja 4 Irmãos
Granja 4 Irmãos

No dia seguinte, logo cedo fomos ao restaurante tomar café da manhã, pão com manteiga e café, arrumamos tudo e seguimos viagem, alguns quilômetros a frente encontramos um cicloturista de Goiás, Biúr Cabe era seu nome e ele é judeu ortodoxo, clique aqui para ver seu site, conversamos um pouco e ele seguiu viagem na nossa frente, mais um pouco de pedal e decidimos parar e cozinhar, Biúr aparece novamente, ele fez uma pausa e nós passamos sem notar, após comer ficamos conversando com o Biúr, ele falou da religião dele, tocou musica em uma flauta de bambu que ele mesmo fez e também falou para as câmeras do Wagner e Leandro, que vão utilizar o material em seu documentário, acho que ficamos parados ali por mais ou menos 3 horas, Biúr saiu na nossa frente de novo. Chegamos a Praia da Capilha, no Taim, procuramos um lugar onde acampar e não encontramos então decidimos ir até o posto de gasolina na estrada, chegando lá encontramos Biúr novamente, conversamos com o pessoal do posto e pedimos autorização para acampar ali, também conseguimos usar um chuveiro para tomar um banho quente, fizemos um lanche de pão e ovo e montamos o acampamento, foi meu primeiro camping em um lugar totalmente exposto, confesso que fiquei com receio e que também a noite foi longa, eu acordava toda hora, e não ficava confortável mesmo usando o isolante térmico inflável que me dá alguns centímetros do chão.

Eu, Leando, Biúr e Wagner
Eu, Leandro, Biúr e Wagner
Camping no posto de gasolina
Camping no posto de gasolina

Na manhã seguinte, 25 de outubro, nos despedimos do Biúr mais uma vez, e dessa vez não o encontramos mais, eu, Wagner e Leandro seguimos até um posto chamado Parador, lá cozinhamos em uma área ao lado do posto, após almoçar e ter tudo arrumado para seguir viagem, aparecem alguns “pescadores”, segundo eles mesmos nos contaram, foram pescar mas não conseguiram pegar nada, então encheram a cara e compraram peixe congelado em um pesqueiro, resumo da história, ganhamos 1 kg de peixe…rs….agora com peixe descongelando amarrado em uma das bicicletas seguimos viagem, quando décimos que era hora de achar um lugar para acampar, entramos em uma fazenda e logo encontramos o dono e seu sogro, pedimos autorização para acampar e fazer uma fogueira para assar os peixes, o dono da fazenda nos mostrou onde pegar lenha e emprestou uma grelha, eu usei a pederneira que ganhei do meu amigo Rodrigo para acender a fogueira, fiz algumas fagulhas em um chumaço de palha seca e coloquei no meio dos gravetos secos e depois mais gravetos e finalmente a lenha, a fogueira que durou a noite toda…rs… também fizemos arroz para acompanhar os peixes, depois de comer fui tomar um banho para dormir, a noite estava fria mas barraca estava aquecida pela fogueira.

post_0028(50)b

Santa Vitória do Palmar
Santa Vitória do Palmar

Acordamos cedo para arrumar as coisas, os donos da fazenda nos deram alguns presentes, uma garrafa de café feito na hora, pão, mortadela e 3 ou 4 kg de carne congelada, café da manhã tomado carne devidamente amarrada em uma das bicicletas, nossa missão do dia era chegar em Santa Vitória do Palmar, acho que o trecho era de 80 km, o vento nos ajudou e conseguimos andar rápido, para economizar tempo decidimos almoçar no restaurante de um posto de da gasolina no meio do caminho, chegamos em Santa Vitória do Palmar no fim do dia, lá o Leandro e o Wagner tinham o contato da Juliani que nos recebeu em sua casa, no pátio da casa também funcionava uma empresa de ônibus escolares. Fomos muito bem recebidos por sua família, perguntamos se havia um lugar para assar a carne que ganhamos e que estava descongelando, o pai da Juliani nos emprestou uma churrasqueira e nos ajudou a preparar a carne, comemos e fomos arrumar as coisas para dormir…ahhh…esqueci de dizer que a casa estava em reforma, então apenas forramos o chão de um cômodo para estender os sacos de dormir, no dia seguinte, acordamos com o barulhos dos pedreiros chegado, tiramos nossas coisas do quarto em reforma pois ele iriam trabalhar ali, como já havíamos combinado no dia anterior, ficamos um dia a mais ali, aproveitamos para lavar roupa e também para limpar as bicicletas, pretendíamos pedir a carne que sobrou no dia anterior para almoçar, mas o pai da Juliani nos surpreendeu trazendo uma panela de arroz carreteiro feito com aquela carne, os pedreiros seguiram trabalhando e após terminarem o expediente, fomos ver o cômodo onde dormimos na noite anterior, não dava para dormir ali, o chão estava coberto de massa fresca, o pai da Juliani disse que podíamos dormir dentro de um ônibus, resolvi pegar meu saco de dormir e ir para a última fileira de bancos onde consegui me acomodar e dormir, no dia seguinte seguiríamos para o Chui mais isso vou contar no próximo post.

Bom pedal e até a próxima.

 Galeria de fotos.