América Austral – Bahía Blanca a Viedma (Argentina)

Bahia Blanca a Viedma

Ainda em Bahia Blanca…

Durante o caminho de Cañuelas a Bahia Blanca seguíamos conversando por mensagens com o Leandro e Wagner, então sabíamos mais ou menos por onde andavam, e percebemos que nos reencontraríamos em Bahia Blanca. No dia seguinte a nossa chegada na casa de Agustin, Leandro veio nos encontrar, o Wagner tinha ficado em um feira e o encontramos mais tarde quando Agustin nos levou até a bicicletaria de um amigo para dar uma olhada em nossas bicicletas.

A minha bicicleta não tinha nada além do revezamento da corrente que eu mesmo fiz enquanto esperava o pessoal que realmente estava dando trabalho para o mecânico da bicicletaria…no fim o Leandro e o Wagner ganharam algumas peças usadas mas que estavam em condições de uso e iria ajuda-los a seguir viagem. Nesse dia fomos todos para a casa do Agustin, no caminho passamos em um mercado para comprar massa de pizza e cerveja, após jantar o Leandro e o Wagner voltaram para onde estavam hospedados e combinamos um horário para seguir viagem no dia seguinte.

Cicloturistas em Bahia Blanca (Argentina)

Na saída de Bahia Blanca encontramos um grupo de cicloturistas argentinos, com a bicicletas carregadas, achei que se juntariam a nós mas eles eram da região e estavam indo acampar em um local próximo a dali, conversamos um pouco com eles e seguimos o nosso caminho rumo a Mayor Buratovich, não me lembro quem foi, mas um de nós viu que lá havia um posto de gasolina na beira da estrada, e onde há posto na beira da estrada há a possibilidade de um camping grátis, chegando lá vimos que se tratavam de dois postos, um dele abandonado e que haviam pessoas morando ali, fomos ao segundo e perguntamos se podíamos acampar em algum canto, não foi possível mas nos indicaram um lugar ao lado, um restaurante com uma grande área gramada.

O restaurante estava fechado, mas fomos atendidos pelo dono e conhecemos um personagem daqueles que marca qualquer viajante, Cone o dono do restaurante que nos recebeu muito bem, explicamos a nossa viagem e perguntamos sobre a possibilidade de acampar no gramado, logo ele nos convidou para entrar no restaurante, muito empolgado em ouvir sobre nossas histórias, nos trouxe uma bandeja com carne assada, pães e cerveja e depois mais cerveja, cerveja, cerveja e mais cerveja, creio que tomamos ao todo mais de uma dúzia de garrafas, Cone era muito alegre e engraçado nos contou que gostava do Brasil, principalmente pelo samba pois ele também era percursionista e nos fez rir contando suas histórias. No dia seguinte acordamos tarde e demoramos para arrumar as coisas e sair, creio que por conta da bebedeira da noite anterior…rs

Cone Ledesma – Mayor Buratovich (Argentina)

Nos despedimos de Cone e seguimos viagem, mas logo que saímos do restaurante encontramos uma fábrica de doces em conserva e geleia na beira da estrada e havia um quiosque de venda, paramos para pedir agua e para nossa surpresa a vendedora era uma brasileira, infelizmente não vou lembra o nome dela, ficamos ali conversando com ela um longo tempo, aproveitei para comprar um pote de geleia, ali também funcionava um granja e compramos ovos que colocamos muito bem embalados em uma caixa que era carregada na bicicleta do Wagner, nesse dia não andamos muito, foram cerca 15km do restaurante em Mayor Buratovich até um posto de gasolina na entrada de Hilario Ascasubi, chegando lá estava começando a chover e decidimos fica no posto até a chuva passar, mas logo a chuva se transformou em uma tempestade, acampamos em uma varanda ao lado da loja do posto.

No dia seguinte atravessamos a ponte sobre o rio que divide as províncias de Buenos Aires e Rio Negro, onde começa a Patagônia, logo vimos a placa do Partido de Patagones nos dando as boas vindas junto com uma ventania e uma tempestade repentina, encontramos um ponto de ônibus na estrada onde nos abrigamos até a chuva passar, nesse dia seguimos até encontra um posto que fica na entrada de Villalonga, ficamos por lá, pois também havia uma estrutura legal e local para acampar atrás da loja, pra quem acha estranho passar a noite em posto de gasolina, basta lembrar-se que um posto de estrada é um ponto de apoio para viajantes, encontramos nesses postos, banheiro, chuveiro, wi-fi, comida e um local seguro para passar a noite.

Placa Partido de Patagones, entrando na província de Tio Negro (Argentina)

Nossa próxima parada não estava longe, diferente das paradas anteriores, planejamos fazer um pedal curto, cerca de 35km até Stroeder, pois de lá seguiríamos direto até Viedma e segundo o Oscar não havia outro ponto de apoio. Ao chegar no entroncamento de Stroeder decidimos ir até a cidade pois não havia um ponto de apoio na RN 3, chagando na cidade não encontramos um local de camping, fomos até uma delegacia perguntar onde poderíamos passar a noite, uma policial chamou um funcionário da prefeitura que nos levou pra lá e nos cedeu um lugar no pátio fechado para montar nossas barracas, após deixar nossas coisa lá, fomos comprar algo para comer.

Nessa viagem procuramos economizar sempre que possível, quando reencontramos o Leandro e o Wagner em Bahia Blanca eles nos contaram que aprenderam com outros viajantes a pedir pão de ontem nas padarias, pois bem, em Stroeder constatamos que precisávamos pedir pão para economizar e conseguir comprar algo para o recheio, eu e o Leandro entramos em uma padaria pequena, logo percebemos que era um negócio familiar, pai e filho no balcão, e explicamos nossa viagem e que tínhamos pouco dinheiro e pedimos pão do dia anterior, para nossa alegria nos deram pão novo, uma bandeja de facturas (pão doce de massa folhada recheado com creme) e um panetone, ficamos muito felizes com a generosidade deles, fomos ao encontro de Oscar e Wagner que havia comprado um pouco de mortadela então retornamos para a prefeitura para fazer nosso lanche.

Utilizando wi-fi no posto de gasolina e trabalhando em post para o blog

Sabíamos que o trecho até Viedma seria difícil, acordamos e decidimos sair e tomar o café da manhã quando chegássemos no entroncamento da RN 3, o Oscar tinha um primo que morava em Viedma, mas não poderia receber todos em sua casa, eu Leandro e Wagner encontramos pelo couchsurfing um local onde ficar, durante o dia o vento frontal foi ficando cada vez mais forte até que no fim da tarde próximos a Viedma causa um enorme resistência nas bagagens presas a bicicleta, estávamos cansado não só daquele dia, mas de vários dias na estrada, precisávamos de algum alivio, o Oscar decidiu ligar para seu primo e pediu que ele viesse ao nosso encontro, não para nos levar, mas para carregar nossos alforges, faltavam poucos quilômetros pra Viedma quando encontramos o primo do Oscar, ele nos trouxe pão, coca-cola e nos aliviou do peso de nossos alforges.

Com Marcelo e Marina – Viedma (Argentina) *foto cedida pelo Marcelo

Entramos em Viedma já estava anoitecendo, Oscar seguiu para a casa de seu primo eu, Leandro e Wagner fomos procurar a casa de Marcelo e Marina, nossos contatos do coushsurfing, que nos receberam com festa, mais tarde Oscar e seu primo levaram nossas coisas. Ficamos dois dias em Viedma hospedados na casa do Marcelo e da Marina, que foram super atenciosos conosco e depois eles nos levaram de carro até Balneario El Condor de onde seguimos viagem, mas isso é assunto para o próximo post.

Bom pedal e até a próxima.

Galeria de fotos.