América Austral – Joinville a Criciúma (SC)

A viagem começou.

Então chegou a hora iniciar a viagem, um dia antes de sair de casa meu irmão Marcelo, vieram em casa para jantar, conversamos bastante e eu mostrei os equipamentos que consegui para a viagem e ali foi nossa o abracei e nos despedimos, no dia seguinte, 04 de outubro, acordamos as 4:30 da minha irmã e meu cunhado logo chegaram para me levar ao terminar rodoviário do Tiete, meus pais foram juntos, lá chegando logo encontramos o Xikaum que iria me acompanhar nesses primeiros dez dias de viagem. Desmontamos as bicicletas e ficamos esperando o ônibus, logo que encostou na plataforma começou a despedia que foi emocionante, abracei todos e disse que os amava, e para não se preocuparem pois eu estava realizando um sonho e iria me cuidar. Dentro do ônibus ainda podia vê-los na porta da plataforma esperando o ônibus partir, fiquei em pé tentando olhar o máximo possível para minha família que estava ali, na hora senti um misto de alegria pela viagem que estava começando e também um aperto no coração em deixa-los.

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Já no ônibus eu e o Xikaum fizemos amizade com o passageiro do banco da frente, Nelson que mora em Timbó no estado de Santa Catarina, explicamos para ele nossa viagem roteiro, ele nos deu dicas sobre o caminho e como seguiríamos até Timbó, trocamos contatos e combinamos de nos encontrar em nossa passagem por Timbó.

Chegando em Joinville, montamos as bicicletas e acomodamos toda a bagagem, as primeiras pedaladas com toda a carga assustou um pouco, a bicicleta parecia ter vontade própria por conta de todo o peso, pedalamos até o Museu da Imigração e Colonização, chegamos lá faltando 30 minutos para seu fechamento, mesmo assim conseguimos entrar e ver um pouco do museu, depois seguimos para o hotel.

No dia seguinte, tudo pronto para seguir viagem, mas o Xikaum havia esquecido o capacete em casa, por sorte na saída de Joinville encontramos uma bicicletaria onde ele comprou um novo capacete, seguimos pela Estrada do Arroz, após passar por Guaramirim e faltando alguns quilômetros para Jaraguá do Sul, fomos parados por um rapaz de carro que nos viu passando pela Rodovia do Arroz, seu nome era Samir e estava curioso pela viagem, conversamos um pouco sobre a viagem e ele nos contou que já foi para Ushuaia de moto, foi muito legal conversar com ele e ver sua empolgação.

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Com o passar das horas percebemos que não conseguiríamos seguir até Timbó conforme planejado, resolvemos ficar em Pomerodo na pousada Max que serve também aos cicloturistas que estão fazendo o Circuito do Vale Europeu, tratamos de arrumar tudo para ir dormir pois no dia seguinte queríamos tirar o atraso de não ter cumprido a meta do dia.

No dia 06 de outubro, saímos de Pomerode com destino a Rio do Sul, em nosso caminho a primeira parada era Timbó, enviamos uma mensagem para o Nelson que conhecemos na viagem de ônibus entre São Paulo e Joinville, ele nos encontrou na ponte Thapyoka no centro de Timbó, muito gente boa nos guiou pela ponte e explicou sobre o funcionamento das antigas rodas d’aguas ali, também o monumento em homenagem aos pracinhas da segunda guerra mundial, aproveitamos de visitamos o Museu do Imigrante, nos despedimos do Nelson e seguimos viagem, na saída de Timbó encontramos o Museu da Música, mas chegamos no horário do almoço e o museu estava fechado.

No dia seguinte, partimos em direção a Rio do Sul, as dificuldades do dia ficaram marcadas pelo primeiro pneu furado da viagem, logo após isso enfrentamos algumas subidas um pouco mais fortes e com toda a carga que carregamos perdemos muito tempo, chegamos em Rio do Sul já estava escuro, mesmo assim foi fácil localizar a casa do Marcio com que fizemos contato pelo WarmShowers, ele nos recebeu em sua casa com cerveja e macarrão caseiro, ficamos conversando com o Marcio por um bom tempo, ele já foi para Ushuaia, também morou durante 4 anos na Bahia, fez uma viagem de bicicleta pela Africa e morou por 3 anos entre a Índia e o Nepal, em sua casa é destaque em sua mesa uma foto no acampamento base do Everest.

Marcio, eu e Xikaum em Rio do Sul - SC
Marcio, eu e Xikaum em Rio do Sul – SC

No dia seguinte o Marcio pedalou conosco até Ituporanga, na saída de Rio do Sul encontramos o Cater, amigo do Marcio, com quem também fizemos contato pelo Wamshowers, em Ituporanga nos despedimos do Marcio e decidimos seguir até Petrolândia, uma cidade bem pequena, encontramos uma pousada junto a rodoviária onde passamos a noite.

No dia 08 de outubro, pretendíamos seguir até Urubici, mas logo na saída de Petrolândia enfrentamos uma serra em estrada de terra muito inclinada e então começou a chover, minha bicicleta estava mais pesada que a bicicleta do Xikaum, eu escorregava e não conseguia andar, o Xikaum deixava a bicicleta dele em um ponto mais alto e voltava para me ajudar a empurrar a bicicleta morro a cima, seguimos nessa rotina até o topo da serra quando a chuva virou granizo, por sorte ali havia uma casa que estava fechada, mas tinha uma varanda onde nos abrigamos até o granizo passar, quando chegamos na BR-282 estávamos exaustos e sem animo, seguimos até um restaurante na entrada da estrada para Rio Rufino onde comemos um lanche, enquanto descansávamos a chuva recomeçou percebemos que seguiríamos toda a viagem com chuva, como já era tarde decidimos ir só até Rio Rufino, nesse trecho eu tive o segundo pneu furado. Chagamos em Rio Rufino no escuro, com frio e muito molhados, logo achamos uma pousada ao lado do posto de gasolina, o dono da pousada nos orientou em relação ao caminho que poderíamos seguir dali em diante, também nos avisou sobre um ônibus que sairia no dia seguinte em frente a pousada com destino a Urubici, como atrasamos nosso planejamento decidimos pegar o ônibus.

Saindo de Petrolândia - SC
Saindo de Petrolândia – SC

No dia seguinte, logo após o café da manhã o ônibus estacionou no outro lado da rua, o motorista nos ajudou a tirar a bagagem das bicicletas e acomodar tudo no bagageiro, fazer a viagem entre Rio Rufino e Urubici de ônibus foi um adianto em nosso roteiro, pois a estrada que liga as duas cidades é de terra e com a chuva que caiu a noite toda estava muito ruim, também havia o risco de alagamento por causa do rio que passa bem ao lado da estrada.

Chegamos em Urubici pensando que estávamos muito atrasados em nosso planejamento e pensando em seguir para Bom Jardim da Serra, mas então dois senhores que estavam ali onde o ônibus estacionou, curiosos com a quantidade de bagagem carregada em nossas bicicletas, vieram conversar conosco, um deles era o Sr. Dilmo da barbearia o outro vou pedir desculpas mas não lembro o nome, eles falaram das distancias das atrações de Urubici que estavam em nosso plano inicial, então pensamos direito e vimos que o ônibus nos colocou dentro de nosso planejamento novamente, perguntamos onde havia um camping e nos indicaram o Camping Nossa Senhora das Graças já na estrada para o Morro da Igreja, nosso objetivo do dia. Seguimos para o camping que estava vazio, o Sr. Dono do camping nos mostrou tudo, banheiros, lugar onde montar as barracas e a cozinha, deixamos a bagagem lá saímos pedalando para ver o  Morro da Igreja, no caminho encontramos a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, logo saímos de lá iniciou uma chuva que não deu trégua, como planejado fomos tentar subir o Morro da Igreja, mas após alguns quilômetros com muita chuva e frio vimos que o risco não valia a pena poderíamos pegar um resfriado ou até mesmo ter hipotermia, decidimos voltar para o camping, o dono do camping veio conversar conosco e nos disse para dormir dentro da cozinha pois estava muito frio para dormir nas barracas, decidimos por fazer isso.

Gruta Nossa Senhora de Lourdes
Gruta Nossa Senhora de Lourdes

No dia seguinte, decidimos permanecer no camping pois nossas roupas de pedalar estavam muito molhadas e nossas bicicletas precisando de uma atenção especial depois de tanta chuva e terra, nesse dia saímos apenas para comprar algumas coisas e complementar nossas refeições, como havia ali uma mesa de sinuca, a rotina do dia foi limpar bicicleta e jogar sinuca, lavar roupa e jogar sinuca, cozinhar e jogar sinuca, jogar sinuca e jogar sinuca…kkkk

Naquela noite começou a chegar mais gente no camping, ficamos com medo que o pessoal reivindicasse o uso da cozinha que era coletivo, vieram apenas fazer um lanche conversaram conosco e voltaram para suas barracas e cabanas sem problema.

No dia seguinte tudo pronto, saímos para o que seria o trecho com maior altimetria acumulada, de nossa viagem, logo na saída de Urubici encaramos uma subida de 18km, o tempo também não colaborou durante todo o dia houve pancadas de chuva, logo após a saída de Urubici encontramos a entrada da Cascatal do Avencal, pela quantidade de chuvas nos últimos dias ela estava muito cheia e isso proporcionou um espetáculo a parte.

Cascata Avencal - Urubici - SC
Cascata Avencal – Urubici – SC

Seguindo viagem o peso das bicicletas aliada a uma rota cheia de subidas cobrou seu preço, chegamos em Bom Jardim da Serra esgotados no inicio da noite, paramos logo na primeira pousada que encontramos tamanho o desanimo para ficar procurando. No momento que entramos na pousada encontramos um senhor que estava viajando de moto desde de Recife, jantamos junto com ele em uma lanchonete na frente da pousada, ele nos disse que essa era a única pousada que tinha vaga, pois a cidade estava cheia, logo pensamos que tivemos sorte.

No dia seguinte, 12 de outubro, seguimos para o marco em nossa viagem, o único destino que combinamos desde o inicio que não sairia do roteiro de forma alguma, saímos em direção a Serra do Rio do Rastro, logo saindo de Bom Jardim da Serra encontramos a Cascata da Barrinha, na beira da estrada com um visual lindo, seguimos pela estrada que nesse ponto é só subida até a chegada na serra, quando em uma troca de marcha mal feita veio a minha primeira quebra de corrente, na hora fiquei desanimado pois a corrente era nova e até ali rodou no máximo 500km…trauma superado coloquei um powerlink no lugar do elo quebrado e seguimos viagem, chegando no mirante da Serra o tempo estava fechado, ali conversamos com alguns ciclistas, motociclista e outros viajantes, conhecemos um casal que estava indo de moto até Montevideo no Uruguai, lugar em que pretendo passar em minha viagem. Esperamos um pouco e o tempo abriu conseguimos comtemplar toda a beleza da Serra, ali no mirante há uma câmera que mostra o que acontece ao vivo pela internet, eu e o Xikaum enviamos mensagem para nossos amigos e familiares para nos ver pela câmera do mirante ao vivo, isso foi engraçada pois quem não sabia da câmera achava estranho quando nos acenávamos para alguém que nos assistia, esse foi o momento big brother da viagem….kkkkk

Cascata da Barrinha - Bom Jardim da Serra - SC
Cascata da Barrinha – Bom Jardim da Serra – SC
Serra do Rio do Rastro
Serra do Rio do Rastro

Decidimos descer a serra e então o tempo fechou de novo, esperamos, esperamos e vimos que não tinha outro jeito se não encarar a neblina na descida, arrumamos as lanternas nas bicicletas e descemos, logo iniciamos a descida começamos a escutar barulho de buzinas, um comboio de caminhões subia a serra e nas curvas fechadas eles buzinam para os carros que descem pararem e esperar o caminhão fazer a curva, passado o comboio foi soltar o freio…ou quase…e terminamos a descida com a sensação de dever cumprido.

Chegando em Lauro Muller, estávamos procurando um camping que vimos pela internet, quando um ciclista nos alcançou e disse que deixamos a entrada do camping para traz e que para chegar lá a estrada era de terra e estava em péssimas condições, seguimos para a cidade e o ciclista nos indicou uma pousada onde ficamos.

No dia 13 de outubro, foi o último dia em que pedalei junto com o Xikaum nessa viagem, pois nosso destino era Criciúma onde ele pegaria o ônibus para São Paulo, seguimos pela estrada que passa por Treviso, um trecho curto, e fácil em relação a altimetria, porem com alguns trechos de asfalto muito ruim ou inexistente, almoçamos em um pequeno restaurante de beira de estrada e foi o único dia em que conseguimos comer alguma coisa no horário do almoço, chegamos cedo em Criciúma e foi fácil encontra o hotel que havíamos reservado, deixamos as bicicletas no estacionamento no subsolo do hotel que ficava com o portão fechado, e levamos apenas o necessário, saímos para procurar um lugar para comer e após algumas voltas perto do hotel encontramos um mercado que tinha uma praça de alimentação, também paramos em uma loja de conveniência para tomar uma cerveja para comemorar o fim dessa etapa da viagem.

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No dia seguinte após o café no hotel, chegou o momento de dizer tchau ao meu amigo e seguir minha viagem sozinho, descemos até a garagem para acomodar as coisas na bicicleta, onde encontramos o dono do hotel que veio conversar conosco ele contou que também era ciclistas, conversamos sobre a viagem, após isso seguimos para uma loja de bicicleta na mesma rua do hotel, lá comprei óleo para corrente e peguei informações de como sair da cidade, o Xikaum queria visitar o Estádio do Criciúma nosso caminho era o mesmo, segui empurrando a bicicleta até o local onde nossos caminhos se separavam, ali nos despedimos e tiramos uma última foto juntos, a partir desse ponto sigo sozinho.

Eu e Xikaum em Criciúma - SC
Eu e Xikaum em Criciúma – SC

A viagem está apenas no começo, muita coisa legal já aconteceu e outras tantas iram acontecer, a minha família gostaria de dizer que os amo muito e que logo estarei de volta, ao meu grande amigo Xikaum muito obrigado pois sem sua força e apoio o caminho seria muito mais difícil.

Por hora é isso.

Abraço e até a próxima.

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