17º Paris-Brest-Paris – 2011 – Parte 2

Nessa segunda parte, estou contando como foi a viagem para França, os dias antes, durante e depois da prova. Para ver a primeira parte onde conto como foi a classificação da classificação a title=”17º Paris-Brest-Paris 2011 – Parte 1 (Classificação)” href=”http://wp.me/p5n8a6-xS” target=”_blank”>clique aqui.

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Antes de falar como foi a viagem para Paris eu devo contar algo que tomou forma durante o período de classificação e resultou em uma grande ajuda e incentivo durante esse período.

Na época das provas no Rio Grande do Sul, comentei com o pessoal no trabalho  sobre as provas que estava fazendo e que tinha um objetivo maior que era o Paris-Brest-Paris, isso meio que causou alguns burburinhos nos corredores da empresa, todo mundo me perguntava sobre o PBP, se eu ia participar mesmo, até que um dia após eu conseguir completar o Brevet 600 em Holambra, recebi um e-mail do Oerton Fernandes, Diretor da SML Brasil (www.smlbrasil.com.br), empresa em que eu trabalho, pedindo um levantamento das minhas despesas para participar da prova, confesso que no primeiro momento achei estranho, respondi o e-mail com os custos (passagem, hotel, inscrição e seguro de viagem).

Dias depois ele me chama em sua sala, e informa que a empresa tinha interesse em patrocinar um evento como este e me ofereceu um patrocínio, além disso, providenciou todo o uniforme para a corrida. Confesso, que um patrocínio nessa hora foi de muita ajuda e fiquei muito feliz com o apoio recebido, conforme solicitado enviei o contato de empresas que fazem uniformes de ciclismo para o pessoal de marketing da SML Brasil, e após algumas conversas e cotações a empresa foi escolhida e o desenho do uniforme decidido, recebi cerca de uma semana antes de embarcar para a França dois uniformes completos (bretelle e jersey) com os logos da SML Brasil como patrocinadora e a verba correspondente à 50% do custo para a minha viagem.

Eu e Oerton Fernades - Entrega do uniforme da SML Brasil
Eu e Oerton Fernades – Entrega do uniforme da SML Brasil

Os dias antes da Prova

Dias antes de embarcar levei a bicicleta na Bike Time para uma revisão, peguei de volta já acomodada na mala-bike, meus pais e meu irmão me levaram até o aeroporto para o embarque, estava ansioso e um pouco nervoso pois iria viajar para um lugar totalmente diferente e sem saber nada de francês, mais uma vez tive ajuda da minha namorada que é formada em Tradução e Interprete, leciona Inglês e estudava Francês, ela me ensinou algumas frases básicas em francês para que pudesse “me virar”, o resto eu tentaria falar em inglês, português, “portunhol”, “embromation”, mimica e qualquer outra forma de comunicação conhecida ou não…rs…mala-bike despachada, me despedi do pessoal e fui pro avião.

Meus pais e meu irmão no aeroporto de Guarulhos
Meus pais e meu irmão no aeroporto de Guarulhos

Nem sai do Brasil e apareceu a primeira dificuldade com o idioma, um comissário de bordo estava tentando me explicar em francês que o monitor do meu acento estava com problema, quando percebeu que eu não falava nada de francês ele chamou uma comissária que era brasileira, o voo foi tranquilo, quase não consegui dormir e mesmo com o mal funcionamento do monitor eu consegui assistir dois filmes, escutar um pouco de música e acompanhar o mapa da viagem, de manhã logo após o café da manhã quando o avião estava prestes a pousar era possível ver um pouco distante em meio a muitas nuvens que refletiam tons de amarelo e laranja dos primeiros raios do sol a ponta da Torre Eiffel.

Visão da Torre Eiffel na estação Javel
Visão da Torre Eiffel na estação Javel

Chegando no aeroporto, estava um pouco perdido, mas logo consegui ver os guichês para carimbar o passaporte, foi tranquilo, o guarda carimbou o passaporte e liberou minha passagem sem perguntas, demorei um pouco para achar a mala-bike, isso porque no aeroporto Chales de Gaulle, objetos grandes são colocados em uma esteira diferente da esteira das outras bagagens do voo. Já estava na França, mas a viajem ainda não tinha acabado, ainda precisava chegar ao hotel que ficava em Plaisir que ficava a 40 km do centro de Paris e mais ou menos uns 60 km do Aeroporto, fiz o trajeto de trem saindo do aeroporto fazendo algumas baldeações nas estações do centro de Paris, na estação de Javel, consegui tirar a primeira foto da Torre, cheguei de trem em Saint-Quentin-en-Yvelines onde peguei um taxi para percorrer os últimos 10 km para chegar no hotel….nesses primeiros momentos em que tive de me virar para pedir informações percebi rápido que mesmo não falando nada de francês, mas com educação dizendo um Bonjour e depois pedir a informação mesmo em inglês e pedindo uma desculpa por não falar francês tudo se resolvia.

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Foto_PBP_005Já estava acomodado no hotel, sabia que alguns brasileiros já tinham chego mas não vi ninguém nesse primeiro momento, era umas 14 horas eu estava morrendo de fome, resolvi ir procurar um restaurante, foi só andar um pouco pela rua do hotel para perceber que o bairro era residencial e que o comercio local fecha logo após o almoço, depois vi que o comercio reabria no fim da tarde, encontrei um restaurante no fim da rua, estava prestes a fechar, talvez esse seja o motivo pelo qual o dono ficou me olhando de cara feia, mesmo assim consegui comer uma pizza, de volta ao hotel ainda sem ver ninguém fui para o quarto desfazer a mala e começar a montar a bicicleta, não sei quanto tempo se passou até escutar o pessoal conversando, quando sai para o pátio encontrei o Cezar Augusto Barbosa (ciclista do Rio de Janeiro) seu pessoal e também o Carlos Raul dos Santos Calvete (ciclista de Porto Alegre), naquela noite jantamos juntos no mesmo restaurante que eu almocei, aliás foi nesse restaurante que almoçamos e jantamos durante os dias em Plaisir. No dia seguinte, encontrei o Milton Della Giustina e seu pessoal, também o Rafael Dias Menezes, o Richard Dunner e o Silas Batista.

Eu, Cezar e Calvete em frente ao estadio de Saint-Quentin-en-Yvelines
Eu, Cezar e Calvete em frente ao estadio de Saint-Quentin-en-Yvelines

Eu o Cezar e Calvete, resolvemos ir até a Decatlhon que ficava próxima a estação de trem de Plaisir, uma caminhada de uns 4 km, fomos conversando e contando como foi a experiência de um para se classificar, depois também aproveitamos para fazer um pedal de reconhecimento até o local da largada, eu gravei um pequeno trecho em que passamos por dentro de um parque que fica entre Plaisir e Saint-Quentin-en-Yvelines, o estádio estava deserto nem parecia que ali seria a largada do PBP, na volta nos perdemos um pouco, mas não demorou muito pra gente achar o caminho de volta.

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Chegou sábado, dia da vistoria e retirada do kit da prova, diferente do dia anterior estava um formigueiro, uma fila gigantesca para fazer a vistoria e entrar na área do estádio onde só os inscritos podiam entrar, logo na entrada recebi uma caramanhola do PBP, os fiscais conferiram as luzes que eu tinha na bicicleta e fui para dentro do estádio, no ginásio apresentei os documentos e retirei meu kit com as instruções da prova, passaporte, sensor magnético, numeral, jersey e o vale para retirar a bandana do Japão, peguei todos os itens e comprei uma camiseta de algodão do PBP, fiquei um pouco ali vendo o movimento o clima da prova, era uma confusão de idiomas e gente de tudo quanto é canto, o pessoal tentou arranjar um encontro como todos os brasileiros participantes nesse dia, mas não deu muito certo, um grupo se encontrou aqui e outro ali. Naquele dia, já de volta ao hotel, fomos até a Decatlhon mais uma vez comprar algumas coisas que estavam faltando.

Entrada para vistoria
Entrada para vistoria
Retirada do kit da prova
Retirada do kit da prova
Eu e Calvete no dia da vistoria
Eu e Calvete no dia da vistoria

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 A Prova

No dia seguinte logo cedo deixei a bicicleta arrumada, saímos para almoçar e fomos direto para o local da largada, chegando lá havia uma grande espera e expectativa, era uma grande festa, assisti a largada do pessoal das 80 horas (categoria que não precisa respeitar o horário de abertura dos PCs), após isso entrei na área de triagem para a largada das 90 horas, essa triagem é feita pra quebrar a largada em grupos de 500 ciclistas a cada 20 minutos, eu e o Calvete conseguimos entrar logo no primeiro pelotão, mas parece que não foi bom negócio, pois ficamos esperando muito tempo debaixo de um sol muito forte, eu tinha duas caramanholas de 750ml cada de água e já estava consumindo antes mesmo de começar a pedalar, era um alvoroço, tudo mundo esperando pra começar a pedalar, quando chegou perto da hora cumprimentei o Calvete e lhe desejei boa sorte e começamos a pedalar.

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Bike pronta pra rodar

Nos primeiros quilômetros estava todo mundo junto, um grande pelotão com cerca de 500 ciclistas, as ruas de Saint-Quentin-en-Yvelines que levam até a estrada estava fechadas e os espectadores aplaudiam todos os ciclistas que passavam, em um determinado momento eu e o Calvete nos distanciamos, segui sozinho sem me preocupar, no início com todos juntos era muito fácil saber por onde seguir, mas já dava pra ver a sinalização que teria que seguir daí alguns quilômetros quando o pessoal estivesse mais espalhados, todo o caminho é marcado com placa com seta refletivas que indicam Brest na inda e Paris na volta, as cores das placas também são diferentes para não haver confusão.

O calor era tanto para um fim de tarde, no fim do verão europeu, que o pessoal parava em qualquer lugar onde era possível pegar água, nas casas no caminho os moradores montavam mesas nos portões e ofereciam água e alguns até mesmo bolachas ou alguma outra coisa para comer, até mesmo a noite, era possível ver as mesas nos protões e isso foi uma constante em todo o caminho.

Passaporte de prova
Passaporte de prova

O PBP segue por estradas secundárias sem passar por grandes rodovias e não demorou muito para começar a ver as paisagens rurais e pequenos vilarejos do interior da França, belas paisagens e lugares que parecem ter parado no tempo com construções muito antigas, algumas de pedra, a paisagem realmente encanta, e também tem todo o clima da prova.

Os PCs do PBP são lugares que comportam um grande volume de pessoas, são montados em ginásios e escolas, neles são oferecidas refeições, algum tipo de apoio mecânico, médico, banheiros, em alguns é possível tomar um banho e outros possuem um certo número de leitos para dormir.

Almoço antes da prova
Almoço antes da prova

Minha passagem pelos PCs se tornou uma pequena rotina, carimbar o passaporte da prova, usar banheiro, comer e reabastecer a caramanhola…durante a prova em um momento ou outro encontrava algum conhecido, pedalando ou em algum PC…trocávamos algumas palavras rápidas e cada um seguia seu caminho.

Lembro de estar pedalando, não sei dizer em que trecho, quando encontrei o Luis Roberto Velho Lazary (ciclista de Porto Alegre), junto a nós vinham dois ciclistas franceses e quase conseguimos conversar com eles, ficou no ar algumas piadinhas com o que os gringos conhecem do Brasil, ou seja Pelé e Ronaldo… encontrei o Lazary mais algumas vezes depois, ele conseguiu completar com sucesso a prova.

Algumas horas antes da largada
Algumas horas antes da largada

Foi no PC de Loudéac que resolvi fazer a minha parada para descansar, Loudéac fica no meio do caminho entre Paris e Brest, eu cheguei lá já estava escuro, estava iniciando a segunda noite de prova, após comer fui para o dormitório que era uma quadra, na entrada havia um grande mural com o número dos leitos e os horários que seus ocupantes pediram para serem acordados, paguei a taxa e indiquei em um relógio desenhado em um prato de papelão o horário que eu queria ser acordado, então um “lanterninha” anotou o meu horário em um leito vago no mural e me levou até lá indicando o caminho com a lanterna em meio a centenas de camas na quadra escura…descalcei a sapatilha e deixei embaixo da cama junto com o capacete e outras coisas, a cama e era de acampamento, uma lona esticada em uma armação de metal e sem colchão, mas tinha um cobertor para enfrentar o frio (no fim do verão europeu os dias são muito quentes e a madrugada é muito fria).

Acordei com dois “tapinhas” na cabeça, era o lanterninha me avisando que tinha dado meu horário, me arrumei para sair, quando sai do dormitório estava caindo um temporal era um pouco mais de 3 horas da manhã, estava muito frio, fiquei um tempo olhando o bicicletário e imaginado o quanto eu ia me molhar só pra chegar até a minha bicicleta, após alguns minutos e me convencer que não havia outra forma, sai caminhando na chuva que peguei a bicicleta e segui caminho, poucas pessoas estavam saindo do PC naquele momento, a chuva se manteve forte por alguns quilômetros, eu tentei andar forte nas horas que se seguiram para compensar um pouco o tempo que fiquei parado.

Calvete momentos antes da largada
Calvete momentos antes da largada

A paisagem se modificava na medida que se aproximava de Brest, ao longe era possível ver grande geradores eólicos que ficavam cada vez mais perto, se durante o dia estavam longe, durante a madrugada eu estavam em uma estrada que serpenteava por suas bases e o céu coberto de nuvens refletia a luz vermelha de sinalização das torres dos geradores, deixando a paisagem meio surreal, chegando próximo a Brest o tempo piorava e em um determinado momento eu estava envolvido em uma densa neblina sem muita visibilidade.

Em Brest, passei pela famosa ponte que é a entrada da cidade e um marco para os randonneurs, o trajeto passava por diversas ruas de Brest antes de chegar no PC, chegando lá encontrei o Calvete que eu não via desde a largada, após descansar um pouco decidimos seguir, e pedalamos juntos desde então…seguimos as indicação das placas do PBP para sair de Brest, após subir uma serra que há na saída da cidade tive a impressão de ver o Richard passar no outro lado da estrada e até que isso era coerente, pois ele estava inscrito na categoria de 84 horas que tinha a largada as 5 horas da manhã da segunda-feira…não vou lembrar exatamente quando, mas após Brest encontramos o Cezar que seguiu junto conosco até Loudéac.

Antes da largada
Antes da largada

Pedalamos um bom tempo, passamos pelos pequenos pontos de apoio montados pelos moradores locais, até chegarmos em Loudéac já era noite novamente, nesse momento o cansaço era tanto que não consegui comer, resolvi que iria dormir e fui para o dormitório, o Calvete fez o mesmo e combinamos um horário para sair, ao acordar resolvemos comer um pouco e saímos ainda enquanto ainda estava escuro.

A desistência

Já tinha passado um tempo depois de Loudéac, o dia estava ficando claro e eu não via mais o Calvete, estava muito cansado, ficando lento e quase não consegui ficar com os olhos abertos, não sei se ficar mais tempo dormindo em Loudéac teria ajudado, eu parei no canto da estrada fiquei em pé mas com a cabeça abaixada no guidão da bike, devo ter ficado assim menos de 5 minutos, mas foi tempo suficiente para começar a cochilar, escutando o barulhos dos ciclistas que passavam levantei a cabeça e continuei, um pouco a frente encontrei o Calvete expliquei que estava quase dormindo na bicicleta, ele também estava muito cansado, resolvemos fazer uma pausa e eu coloquei a bicicleta de lado deitei no chão na beira da estrada, devo ter dormido por uns 30 minutos, mais uma vez acordei com o barulho dos outros ciclistas passando, olhei para o lado o Calvete também estava dormindo.

Largada da categoria de "até" 80 horas
Largada da categoria de “até” 80 horas

Quando resolvemos prosseguir, decidimos que precisávamos encontrar um lugar para tomar um café e comer alguma coisa, encontramos na próxima cidade um café que estava abrindo, entramos pedimos pão, frios, café e provavelmente mais alguma coisa que não me lembro agora, outros ciclistas entraram e pediram alguma coisa pra comer também, conversamos com uma senhora, provavelmente ela era inglesa por causa do sotaque, ela disse que estava muito cansada, coincidência, nós também…rs.

Eu e o Calvete ficamos conversando sobre o que fazer, estávamos desanimados, cansados, e achando que não teríamos mais tempo, iriamos estourar o horário do próximo PC, nesse momento a ficha caiu como uma marretada em qualquer vestígio de animo que tentasse resgatar, não vai dar tempo estamos fora, acho que ficamos um tempo pensando nisso sem dizer nada.

Chegando no primeiro PC - Villaines La Juhel
Chegando no primeiro PC – Villaines La Juhel

De nada adiantava ficar parado naquele café depois de comer, decidimos seguir até o próximo PC para entregar o passaporte da prova, fomos bem devagar, chegando lá procuramos o pessoal da organização entregamos os passaportes e as tornozeleiras magnéticas, naquele momento era o fim do sonho do Paris-Brest-Paris, pedalei 840 km dos 1230 km totais do trajeto, demorou um tempo para entender que estava acabando, deixando tudo para trás e que a próxima oportunidade iria demorar quatro anos.

O responsável do PC, nos disse que ali não tinha trem para retornar para Paris, mas nos ajudou disponibilizando uma van para nos levar até a cidade vizinha, cerca de 10 km dali, onde conseguiríamos pegar um trem, com destino a outra cidade que não lembro o nome, e lá pegar o TGV para Paris, chegando em Paris ainda pegamos outro trem para Plaisir, não lembro quantas horas demorou toda essa viagem, chegamos no hotel no meio da tarde, peguei as malas do deposito do hotel e fui pro quarto tomar um banho, já era por volta das 18 horas, pensei em tirar um cochilo e acordar as 20 horas para ir jantar, mas estava tão cansado que dormi direto até as 9 horas da manhã do dia seguinte, acordei meio sem noção do tempo, achando que só tinha cochilado um pouco, nessa época os dias são muito longos, ao ver a hora  me apressei para ir ao salão do café da manhã, chegando lá encontrei o pessoal que tinha completado e acabara de chegar, não vi o Calvete, tomei café e decidi ir até o estádio de Saint-Quentin-en-Yvelines ver o fim da festa pelo menos.

No caminho dentro o parque, encontrei o Cezar retornando, ele completou e estava voltando para o hotel naquele momento, chegando em Saint-Quentin-en-Yvelines na saída do estádio encontrei o Richard que tinha acabado de completar, eu não podia mais entrar com a bicicleta dentro do estádio, mas podia entrar a pé pela entrada da frente, com o pé atrás deixei a bicicleta encostada na grade da passarela que dava acesso a essa entrada, sem nenhuma corrente, e entrei, lá dentro encontrei o Lazary que tinha acabado de chegar, haviam alguns estandes e fui dar uma olhada neles, comprei as fotos tiradas pela organização e também algumas lembranças, caneca, cartão postal, chaveiro, etc…

Em algum PC
Em algum PC

Depois de um tempo decidi ir, a bicicleta estava no lugar, mas a caramanhola do PBP que ganhei no dia da vistoria e resolvi usar foi furtada, fiquei chateado e com medo que a bicicleta fosse roubada se eu a deixasse ali de novo, queria conseguir outra caramanhola, tentei entrar com ela no pela recepção do estádio mas um funcionário me barrou eu expliquei a situação pra ele, ele disse pra eu entrar e falar com alguém da organização enquanto ele ficava ali próximo a porta de olho na bicicleta. Fui direto a mesa que recepciona os ciclistas que completam e após explicar que a caramanhola foi furtada me pediram para aguardar ali, minutos depois a mulher que me atendeu me trouxe outra caramanhola do PBP e essa está bem guardada.

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Chegando em Brest

Naquele dia, de volta ao hotel, tratei de desmontar a bicicleta e acomoda-la na mala-bike, empacotei tudo e arrumei minha mochila, naquela noite tivemos um último jantar com o pessoal reunido, o dia seguinte amanheceu chuvoso, depois do café da manhã reunimos todos os brasileiros na recepção do hotel para acertar o que cada um devia, a reserva tinha sido feita em grupo, após isso, procurei o funcionário do hotel para me informar quanto ficava um taxi para o centro de Paris, nesse momento um casal de canadenses que estava por lá disse que também ia para o centro de Paris e que podíamos dividir o taxi, pedimos um taxi com a observação que devia ser um carro grande, além de nós haviam a minha mala-bike e mochilas, a mala-bike do canadense e suas malas e de sua esposa, o taxi me deixou primeiro, me despedi do casal e paguei minha parte da viagem, ainda fique uma semana em Paris para conhecer a cidade, fui nos principais pontos turísticos, a Torre Eiffel eu subi duas vezes, visitei a Disney, o Palácio de Versailles e o Louvre e outros.

Resultados dos Brasileiros

Em 2011 tivemos um grande crescimento do número de participantes brasileiros no PBP em relação a edição de 2007, particularmente acho que a tendência é continuar crescendo na próxima edição.

Nesse relato citei alguns randonneurs que completaram com o seguinte resultado, o Cezar terminou em 87:01, Silas em 82:27, Milton em 75:57, Lazary em 89:09 e o Richard em 78:32. Como disse eu e Calvete não completamos, o Rafael que largou na categoria de 84 horas junto com o Richard e o Silas, teve problemas mecânicos em sua bicicleta e por isso não conseguiu completar.

Clique aqui para ver a revista de resultados do PBP 2011 (pdf)

Agradecimentos

Nesses dois últimos post eu tentei contar os principais fatos que consigo recordar no período que compreende novembro de 2010 a agosto de 2011, boas lembranças que vou ter para o resto da vida, participar do Paris-Brest-Paris foi a realização de um sonho, mas ainda estou mordido por não ter completado, quem sabe no próximo PBP se eu tiver condições de ir, ainda tenho o sonho de completar essa prova que é o grande encontro de randonneurs do mundo todo 🙂

Gostaria de deixar registrado os meus agradecimentos pela ajuda que tive para participar do Paris-Bres-Paris, então meu muito obrigado a SML Brasil pelo apoio e incentivo, ao Zé Maria da Bike Time que sempre deixou minha bike zerada, a minha família por todo apoio e ajuda que recebi, em especial a Juliana minha namorada que me incentivou e não me deixou desistir da viajem.

Nesse período conheci grandes ciclista que também são grandes pessoas e grandes amigos e com quem pude aprender muito sobre provas de longa distância, parabéns a todos brasileiros que participaram da prova, completando ou não, pois só estar na largada dessa prova já é um grande feito.

Abraço…até a próxima!!

Mais Fotos e Videos

Vídeo feito pelo Cezar